São Paulo, terça-feira, 17 de outubro de 2017 - 11:53.

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Viviane Ferreira: Como aprender um outro idioma sem livros adaptados para estudar?.

Viviane Ferreira.
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Terminei minha faculdade de Letras há dez anos atrás. Desde então nunca mais parei de estudar. Tive todas as dificuldades normais que todos os deficientes visuais têm. No meu caso com um agravante, talvez por falta de informação ou esclarecimentos, não tive a ajuda dos meus pais como normalmente os estudantes deficientes visuais tem.

Precisei contar com a ajuda de amigas, colegas de classe para ditar as matérias, ler os livros e apostilas exigidas pelos professores.

Na época, eu não tinha o auxílio da informática o que hoje facilita em quase cem por cento a vida dos estudantes, especialmente para aqueles que um acervo em tinta de nada acrescenta se não tiver a ajuda de uma pessoa que enxerga disposta a realizar a leitura.

Infelizmente, em virtude de toda essa dificuldade, ficaram apostilas sem serem lidas, textos sem serem avaliados como atividades aplicadas na sala de aula e também alguns clássicos que eu gostaria muito de ter lido na época, alguns por fazer parte da grade outros por simplesmente apreciar a leitura.

Mas na verdade entre todos os problemas acadêmicos que tive sem dúvida nenhuma o maior deles foi para aprender Inglês. Uma das minhas maiores paixões, eu queria aprender a qualquer custo. Passei por algumas escolas, onde nenhuma delas ofereciam um material que me desse condições de igualdade com os outros alunos

Quando eu decidi aprender Inglês, começou uma luta interminável de transcrições de livros de textos e atividades que me permitisse aplicar a gramática e fazer leituras para que não acontecessem erros de grafia. Luta na qual eu me encontro até hoje, já que mesmo tendo concluído o curso, me mantive fazendo aulas particulares.

Temos que admitir que graças a Deus no longo desses dez anos, as coisas têm melhorado muito, mas ainda temos muito o que fazer. Nesse caso, comprar um livro em tinta, procurar alguém capacitado para fazer um trabalho de transcrição de uma outra língua, o tempo de espera para que o material fique pronto, é um processo desgastante e desmotivante para qualquer aluno.

Sem contar no custo desse material, quando diante a falta de opção o aluno se responsabiliza pela compra e transcrição do livro o que resulta em um custo altíssimo, fora das condições da maioria dos estudantes. Afirmo isso com total conhecimento de causa.

Tenho o conhecimento de que uma dessas escolas de idiomas oferecem livros em braile para o aluno que necessitar. Mas na minha opinião ainda é pouco. Temos que ter acesso a todos os livros. temos que batalhar pela opção de escolha, e não permitir que nos limitem forçosamente a optar por uma determinada escola.

A luta pelo livro digitalizado é importantíssima para que dificuldades como essa não existam mais. Para que deficientes visuais não parem no primeiro ou segundo estágio de um curso de Inglês pela falta de material de apoio, o que todos os cursos e professores reconhecem que sem ele é quase impossível o aprendizado.

Hoje em dia, o conhecimento de Inglês faz diferença no mercado de trabalho e não tem o porque do deficiente que se interessar pela língua, não ter mais essa qualificação no currículo. Se as empresas se apóiam na falta de qualificação de deficientes, precisamos provar o contrário. Buscar o conhecimento, mostrar mão de obra qualificada. Somente assim, conseguiremos minimizar as diferenças.

Fica aqui o meu total apoio pela campanha do livro acessível. Apoio de uma estudante que conhece de perto as dificuldades de quem decide estudar de verdade e derrotar os empecilhos existentes ao longo do caminho. Também o apoio de uma professora formada, que acredita que a educação e o conhecimento é a solução para que problemas como pré-conceitos e discriminações deixem de existir, para que a próxima geração, não tenha histórias como essa para contar.

Autora: Viviane Ferreira.
Contato: vivi.fs@itelefonica.com.br.

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