São Paulo, segunda-feira, 26 de junho de 2017 - 16:01.

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Presos pela leitura.

No lugar onde um dia foi o Carandiru, um dos mais violentos presídios do País, nasce uma moderna biblioteca brasileira.

Suzane G. Frutuoso.
MODERNIDADE.

Espaços amplos, claros e uma infinidade de títulos estarão disponíveis ao público.

As rebeliões sangrentas que marcaram a antiga Casa de Detenção do Carandiru, desativada em 2002, não permitiam ao mais otimista cidadão paulistano imaginar que, um dia, o lugar seria dedicado ao conhecimento e à informação. E dos mais high techs. Na segunda-feira 8, será inaugurada a Biblioteca de São Paulo, um projeto inovador idealizado pela Secretaria de Cultura do Estado. Na mesma linha das megastores que se espalharam pela cidade e pelo País na última década, o espaço terá tudo o que as grandes lojas oferecem, mas aberto ao público gratuitamente. Instalada no Parque da Juventude, no bairro de Santana, ao custo de R$ 12,5 milhões (sendo R$ 2,5 milhões oriundos do Ministério da Cultura), a biblioteca quer atrair os futuros usuários com um acervo de 30 mil livros e quatro mil CDs e DVDs, além do acesso livre à internet, jogos eletrônicos, quadrinhos, revistas e jornais nacionais e internacionais. Até mesmo um Kindle, o livro digital da Amazon, estará disponível aos frequentadores para conquistar novos leitores. Dos 4.200 metros quadrados, os jovens serão os donos do pedaço na parte térrea, dividida para três faixas etárias: até 3 anos, de 4 a 11 anos e dos 12 aos 17 anos. Estantes baixas e pufes e poltronas coloridos compõem o cenário. Haverá acompanhamento de psicopedagogas.

Outro setor, com publicações de temas eróticos ou com cenas de violência, terá a entrada proibida para menores de 18 anos. Não censurar nada, permitindo que seja encontrado de tudo, confere liberdade aos usuários. Um café e um auditório completam o espaço. A ideia do governo é incentivar e elevar os índices de leitura da população, atraindo as novas gerações - para quem tecnologia é essencial. "Sabemos que quem lê se desenvolve melhor em outras áreas da vida", diz Adriana Ferrari, gestora do projeto. Estão nas prateleiras desde clássicos de autores como Fernando Pessoa até os blockbusters do mercado editorial como "Crepúsculo" e "Harry Potter", sem esquecer das tão solicitadas obras espíritas e de autoajuda. O objetivo é que as pessoas leiam aquilo que têm vontade. E, mais adiante, passem a se interessar por diferentes temas. Há previsão de investimentos de R$ 1 milhão por ano para aquisição de novas publicações. "Para funcionar, tinha que ser algo contagiante, diversificado e prazeroso", diz Adriana. A inspiração veio de modelos de sucesso que existem em Bogotá, na Colômbia, e em Santiago, no Chile.

INOVADOR

O terminal para empréstimo automático e a mesa para deficientes.

Dentro do conceito inovador, o protagonista é a pessoa, não o livro nem as demais mídias que serão emprestadas aos usuários. Para fazer a carteirinha de sócio, basta apresentar documento de identidade e comprovante de residência. Mas haverá exceções. Moradores de rua, por exemplo, que não têm casa, não ficarão fora dos empréstimos. Os idealizadores acreditam que as pessoas devolverão as publicações, preocupadas em preservar um lugar feito especialmente para a população. "Desejamos criar uma cultura de frequência e convivência, não de locadora apenas", afirma Adriana. Por isso, ter uma estação do metrô bem em frente ao lugar foi decisivo para definir a instalação. O local servirá ainda para cursos de capacitação de funcionários de bibliotecas públicas de todo o Estado. Uma programação com oficinas de arte, como grafite, também será incluída. Um projeto moderno como esse não poderia deixar de lado um atendimento especializado para pessoas com deficiência. A estrutura conta com mesas reguláveis de fácil adaptação para cadeiras de rodas, mouses, teclados e telas de computador adaptados. Mil títulos de audiobooks permitirão aos cegos desfrutar do acervo, uma quantidade inédita de opções para esse público.

Um scanner que transforma livros convencionais em placas de braile é outro avanço que permitirá um acesso ainda mais amplo à literatura geral. Aqueles que perderam os movimentos das mãos terão à disposição folheadores automáticos de páginas. O arquiteto Fernando Brandão, responsável pelos projetos das lojas da rede Livraria Cultura, acredita que a contemporaneidade da Biblioteca de São Paulo é um esforço válido - e que já deveria ter acontecido há mais tempo. "Num mundo interativo, não dá mais para exigir silêncio num local assim. O modelo secular que a maior parte das bibliotecas mantém precisa ser reformulado", defende. É o caminho para a cultura e o conhecimento conquistarem cada vez mais adeptos.

Fonte: Revista Isto é independente.
Data: 07 de fevereiro de 2010.

 

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