São Paulo, quarta-feira, 28 de junho de 2017 - 14:28.

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Paulo Tadeu: o livro digital me daria condições melhores de estudo.

Caros senhores,

no mundo e principalmente no Brasil, a política do ensino sempre foi pautada pela exclusão, ou seja, sempre existiam pessoas que tinham e ainda têm mais possibilidades que outras.

Sei que no caso do Brasil, li, faz certo tempo, que desde a colonização a política sempre foi de restrição, quer seja do governo português, da igreja que chegava a controlar o que deveria ser ensinado nas poucas escolas existentes, destinadas para alguns privilegiados.

Já li também que na Europa, no tempo dos descobrimentos, a Igreja, com uma política contra-reformista proibiu que más escolas ensinassem certos conhecimentos e ciências existentes naquela época, por exemplo, proibiu que ensinassem certos conhecimentos do latim, do grego, do árabe e do hebraico e o mais interessante era que a Igreja proibia que a bíblia fosse lida, exceto pelos padres, bispos e demais membros ativos das comunidades religiosas.

Em vista disso, culminou que enquanto em Portugal existiam 3 colégios, na Alemanha já existiam 3000. Foi nesse contexto que o Brasil formou. Sabe-se hoje que as primeiras escolas do antigo primário, ginasial e científico foram frutos das imposições dos imigrantes alemães, italianos, suíços e outros que só viriam trabalhar no Brasil sob a condição de ter escolas para os filhos, pois essas famílias tinham a cultura de que o filho deveria ler tudo, seja a bíblia, jornais e outros tipos de documentos.

Embora muita coisa tenha sido feita, ainda é pouco, pois por mais que se fizesse, parcelas consideráveis da população eram excluídas quer por falta de condições financeiras, quer pela deficiência ou ainda pela inexistência de escolas que infelizmente vigora até hoje.

Passando para a minha situação, sou Paulo Tadeu (estudante de doutorado em Estatística pela USP em São Paulo e deixo claro que falo isso aqui como uma forma de talvez dar mais peso ao movimento. No meu caso, o problema maior eram as letras muito pequenas, pois tenho visão subnormal e o acesso ao livro acessível em formato universal com certeza me daria condições melhores assim como a milhares, e por que não dizer milhões de pessoas que passam por esse mesmo tipo de problema.

Sempre tive que lutar para chegar até aqui. Foram escolas primárias que não queriam aceitar minha matrícula, professores que não se encontravam preparados e assim por diante, ou seja, sempre foi uma luta de muita raça e muita perseverança para ver se consigo algo mais e sei que a minha vida sempre será assim.

Por isso me manifesto por uma vida melhor de leitura para todos com as mesmas condições, subscrevendo esse abaixo assinado. Até a Vitória!!!

Autor: Paulo Tadeu Meira e silva de Oliveira.
Contato: poliver@usp.br.

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