São Paulo, quinta-feira, 27 de julho de 2017 - 11:19.

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Minha Luta Levada ao Ministério Público Federal.

Após as minhas denúncias, junto ao MPF e junto a CORDE, fiquei aguardando para ver quais seriam as providências que os órgãos tomariam frente todo aquele relato de desrespeito flagrante às Leis e normas de acessibilidade existentes à época.

Como não obtive resposta a contento, fiz contato com a CORDE em Brasília para questionar a respeito da denúncia. Uma atendente me solicitou que enviasse para eles todos os documentos e comprovantes que eu tivesse e que pudessem ratificar minhas denúncias. Remeti um pacote imenso de papeis à Brasília. No entanto, a coisa morreu por ai, o máximo que fizeram foi tirar uma cópia da minha denúncia, sem ao menos terem o cuidado de retirar o nome do denunciante para preservar minha privacidade. Em seguida remeteram a cópia de minha denúncia para os administradores da Universidade solicitando que os mesmos esclarecessem sobre tudo aquilo narrado por mim. E foi somente isso que a CORDE fez em relação a minha denúncia, nada mais, nenhum outro contato, nada vezes nada.

Em relação ao Ministério Público já foi diferente, apesar de demorarem um pouco mais para me responderem, quando o fizeram já marcaram uma audiência comigo para que eu esclarecesse um pouco melhor tudo aquilo. Me encontrei então com a Procuradora Dra. Stella que me atendeu com a maior gentileza e recolheu todas as outras informações que precisava para começar o trabalho junto a Universidade.

Após esse primeiro encontro, todos os outros foram em reuniões de conciliação e assinatura de termos de ajuste de conduta por parte da universidade. Era muito bonito perceber que eu ficava sozinho de um lado da mesa enquanto chegava um verdadeiro batalhão por parte da universidade, no entanto, a mesa ficava absolutamente equilibrada, uma vez que eu não estava sozinho e sim representava todo segmento de pessoas com deficiência potencialmente excluídos na Universidade São Marcos.

Essa foi a maior beleza que eu pude constatar e vivenciar naqueles momentos de angústia, ou seja, a demonstração clara de que as coisas não eram bem como a universidade pensava, isto é, que ela não poderia tratar as pessoas diferentes de qualquer maneira e sairia ilesa e confortável todas as vezes.

Presenciava, naquelas reuniões, a ação da Procuradora que pressionava a instituição, cobrava, solicitava laudos, documentos, provas, testemunhos, etc. Uma verdadeira aula de cidadania da qual eu tenho muito orgulho de ter podido ser uma testemunha viva.

Apresento-lhes, no menu abaixo, diversos documentos que foram se originando conforme o Ministério Público fiscalizava a Universidade São Marcos e a instituição se comprometia a melhorar aqui e ali, a consertar isso e aquilo, a respeitar as normas de acessibilidade e de promover a definitiva inclusão dos alunos com deficiência que a frequentavam.

Espero que ao ler esses documentos aquelas pessoas com deficiência que frequentam instituições de ensino superior ou não por esse Brasil a fora, mas que estejam indignadas com o tratamento destinado a elas, se animem para fazer o mesmo que fiz, que tomem coragem para essa luta, pois ao final ela é tremendamente gratificante e nos enche de orgulho de ter acreditado que podíamos fazer a diferença.

 

Acompanhe a sequência dos desdobramentos nos links abaixo.

 

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