São Paulo, quinta-feira, 27 de julho de 2017 - 11:17.

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Mindlin, os livros, a educação e o futuro do Brasil.

Carta do diretor de redação da revista Época Helio Gurovitz.

O Brasil não costuma se sair bem nas avaliações internacionais de leitura e compreensão de textos. Nas comparações divulgadas periodicamente pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD), sempre aparecemos entre os últimos da lista. Também não somos bem avaliados nas medidas de educação em geral. Nosso presidente confessa ler muito pouco e, em que pese o talento evidente de alguns expoentes nacionais das letras e das ciências, não é um exagero afirmar que, na média, o brasileiro é um povo de poucas luzes. É verdade que temos melhorado nos últimos anos - e essa melhora deve ser incentivada e aplaudida. Mas, quando tentamos imaginar um papel maior para o país no cenário mundial, fica difícil acreditar que chegaremos a algum lugar com um povo deseducado como o nosso. 

O LEITOR

O bibliófilo José Mindlin dizia que "sem livros, seria impossível viver". Há muitas formas de educar alguém. Nada, porém, substitui a leitura. Ler é, antes de mais nada, um prazer. É também um modo de viajar, de conhecer gente e de ter acesso à maior quantidade de universos humanamente imagináveis. "Num mundo sem livros, seria impossível viver", costumava dizer José Mindlin, o maior dos bibliófilos brasileiros, morto na semana passada aos 95 anos. Mindlin deixou como legado uma gigantesca biblioteca e, num ato de amor ao Brasil, doou ao público a parte de seu acervo relacionada ao país.

Ninguém imagina que um dia seremos uma nação formada por intelectuais como Mindlin. Enquanto, porém, o brasileiro médio não demonstrar amor semelhante pela leitura, pelo estudo e pelo conhecimento, seremos secundários na cena internacional. De nada adianta tentar dar lições de moral a americanos, europeus e asiáticos - como o presidente Lula e o chanceler Celso Amorim pareciam fazer na semana passada diante da secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton -, se nossas crianças nem conseguem fazer lição de casa direito. É possível - provável até - que o Brasil atinja um dia o papel de protagonismo global com que todos sonhamos. Mas isso não acontecerá sem que nosso povo leia mais, sem que nossas escolas melhorem, sem que nelas haja alunos cada vez melhores.

Cada brasileiro pode contribuir para isso, como revela a reportagem da página 74, de autoria da repórter especial Camila Guimarães. Ela investigou nas últimas semanas os segredos que tornam alguns alunos melhores que outros. Seu texto revela, por meio de histórias reais, como é possível tirar nota alta sem ser alguém especial ou superdotado. De acordo com Camila, um misto de ambiente familiar favorável, escolas com condições, garra e dedicação pode levar uma criança a se destacar nos estudos. As crianças retratadas na reportagem de Camila são um exemplo de como o Brasil pode melhorar em poucos anos e se aproximar do país sonhado por gente como Mindlin.

Fonte: Revista Época online.
Data: 05 de março de 2010.

 

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