São Paulo, sábado, 22 de julho de 2017 - 17:35.

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Capítulo II - Informações aos Coordenadores e Professores.

Neste capítulo, procura-se traçar alguns paralelos importantes entre os alunos dvs e seus colegas.

1- Sobre os apontamentos em sala de aula.

Os alunos videntes costumam anotar seus apontamentos e observações de aula em seus cadernos, fichários, blocos de rascunhos, entre outras formas tradicionais de registro manuscrito. Os alunos dvs precisam de equipamentos especiais que os auxiliem nesta tarefa de registrar uma aula.

Alguns recursos são tradicionais e mais conhecidos pelos professores, mas existem alguns mais sofisticados e modernos. A seguir, alguns esclarecimentos a respeito dos equipamentos e recursos pedagógicos utilizados pelo aluno dv:

a) Reglete:
É uma tábua de madeira ou plástico, do tamanho de uma folha de papel sulfite, com uma chapa de alumínio perfurada e um ponteiro chamado punção. Esta é a maneira mais tradicional de registro do braille e a mais utilizada em todas as escolas. Entretanto, tem um grande inconveniente: é um processo lento, que dificulta o registro fiel, embora algumas pessoas sejam muito hábeis na sua utilização.

b) Máquina Braille (mecânica ou elétrica):
Este método é mais rápido, pois a máquina, mesmo sendo mecânica, é mais rápida que a reglete, mas tem um ruído elevado. Esta característica pode incomodar os demais colegas e o professor. Entretanto, salvo outro recurso, deve ser adotada assim mesmo. Outro ponto CONSCEG - Dicas e toques legais a ser considerado é que, devido ao esforço constante de pressão das teclas e o peso elevado do transporte da máquina, isso pode causar sérios prejuízos pelo esforço repetitivo.

c) Gravador de mão tradicional:
O aluno pode gravar em fita magnética toda a aula do professor, ou uma conferência ou um seminário, mas este equipamento é limitado pela sua capacidade: 45 minutos de cada lado, no máximo. Isto obriga o aluno a trocar de fita constantemente, parar e religar o gravador e, consequentemente, perder parte do material. Caso o professor não pare de falar, colaborando conscientemente com o aluno dv, ele pode perder preciosos dados de conteúdo. Além disto, a maioria dos professores se movimenta muito pela sala de aula, o que torna a qualidade da gravação bastante ruim e cheia de ruídos.

d) Mini gravador digital:
É um recurso mais moderno. Colocado no bolso do professor ou pendurado com um cordão em seu pescoço, este equipamento tem a capacidade para gravar até 10 horas de conversação. Pode ser manuseado pelo próprio professor (REC/STOP), é pequeno, leve, não incomoda, sendo quase imperceptível. Tem a vantagem de ficar sempre próximo ao professor, tornando o registro de sua aula muito mais fidedigno e com maior nitidez.
Observação: a aula se constitui em direito autoral, havendo necessidade de autorização do professor para que se efetive a gravação.

e) Notebook ou Laptop:
É um recurso moderno, embora caro e não tão acessível para grande parte dos alunos dvs. Devidamente adaptado com software leitor de tela, tem mínimo ruído causado pela digitação, mas que não incomoda as pessoas mais próximas. Os alunos dvs podem usar fones de ouvido e acompanhar, com a sua digitação, a fala do professor.

2- Sobre a utilização de computadores e recursos da informática.

As pessoas videntes utilizam-se de ferramentas modernas e dinâmicas, como o computador e a internet, para realizarem seus trabalhos, pesquisas e consultas. Sistema operacional como o Windows e seus inúmeros aplicativos e utilitários de sistema são manipulados com frequência por qualquer aluno vidente.

Os alunos dvs também podem fazer uso destes recursos tranquilamente, desde que o computador tenha instalado programas e periféricos específicos, que permitem a ele interagir autonomamente com o equipamento.

Esses programas são os chamados leitores de telas, que serão melhor detalhados no item 3, mas resumidamente, são programas que fazem a leitura em voz alta de tudo o que está na tela do computador, para que o aluno dv perceba e possa controlar e interagir com a máquina.

Todos os aplicativos de maior utilização dentro de um curso acadêmico, como o editor de textos WORD, a planilha de cálculos EXCEL, o INTERNET EXPLORER, o OUTLOOK EXPRESS, para citar alguns, são perfeitamente manipulados e controlados por uma pessoa dv que possua um computador com o programa leitor de telas. Isto permite que ele possa fazer contato via email com quem desejar, que ele navegue pelas páginas da Net, salvo algumas restrições, e crie documentos e trabalhos acadêmicos com desenvoltura. Entretanto, a utilização de computadores pelos alunos dvs ainda não é uma prática generalizada, mas aos poucos vem proporcionando uma melhor inclusão e acessibilidade para este grupo de alunos.

Para alunos universitários, nem é preciso dizer o quanto o acesso ao computador facilita na elaboração de trabalhos e pesquisas, assim como nas leituras, cujo volume é incalculável. Com a ajuda de um aparelho chamado "scanner", o aluno dv pode acessar o conteúdo de qualquer livro que desejar. O aparelho faz a transformação, com qualidade ou não, dependendo da fonte, da página gráfica para um formato digital - um arquivo do tipo Word - e o programa leitor de telas faz instantaneamente a leitura.

Graças a estes avanços da área de informática, os alunos dvs estão podendo, em número cada vez maior, chegar às universidades, mas estas precisam estar suficientemente aparelhadas para receberem este novo contingente de alunos.

3- Tecnologias disponíveis para a acessibilidade da pessoa dv

a) JAWS
É um programa leitor de telas importado que é instalado no microcomputador e faz a leitura dos conteúdos das telas do Windows para a pessoa dv. É muito completo, talvez o melhor que existe atualmente no mercado. Mas tem um custo muito elevado, o que, por si só, limita sua utilização.

b) VIRTUAL VISION (*)
É um programa leitor de telas similar ao JAWS, porém de origem nacional, desenvolvido pela Empresa Micro Power (www.micropower.com.br). Possui uma excelente performance no microcomputador, além de seu sintetizador de voz ser mais amistoso, com um português mais claro.

c) BR-BRAILLE (*)
É um programa desenvolvido na UNICÁMP/SP, distribuído gratuitamente pela mesma, que faz a conversão da escrita Braille para a escrita gráfica normal. Este programa é uma excelente ferramenta para acelerar o processo de transcrição dos textos confeccionados em braile, para o formato Word.

d) IMPRESSORA BRAILLE (*)
Equipamento que pode ser acoplado a um computador, similar a uma impressora comum, porém sua forma de impressão é de pontos em alto relevo combinados que formam o braille.

e) SCANNER e OCR (leitor ótico de caracteres) (*)
Respectivamente, aparelho e programa que, juntos, auxiliam na digitalização de textos gráficos e os transformam em textos digitais. Por exemplo: uma folha qualquer de livro, revista, caderno ou apostila pode ser facilmente transformada em uma página de editor de textos Word. Esta ferramenta é de muita utilidade na adaptação dos diversos materiais utilizados pelos professores, para os alunos dvs, como as bibliografias das diversas disciplinas.

(*) Programas e aparelhos que já existem na Universidade São Marcos, dentro do NAAPNE, e em computadores individuais na Unidade Tatuapé, Sagrada Família, Santa Paulina e no Campus Paulínia.

4- O que é o NAAPNE?

NAAPNE é o Núcleo de Apoio ao Aluno Portador de Necessidades Especiais, localizado dentro do espaço da Biblioteca Central na Unidade João XXIII. Este Núcleo, contando com estagiários com ou sem deficiência, promove a preparação de materiais adaptados para os alunos dvs, além de procurar meios de acessibilidade para outros alunos com deficiência sensorial ou motora, permanente ou temporária.

 

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