São Paulo, domingo, 24 de setembro de 2017 - 19:55.

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Deise Fernandes: livros digitais para o filho com dislexia.

Quando vejo meu filho, Mateus, hoje com 20 anos, cursando Técnico em Massoterapia no SENAC, alegre, com muitos amigos, cheio de vida e de entusiasmo pelos desafios, seguro, centrado e Feliz, chego a duvidar de tudo o que passamos juntos.

Desde muito pequeno percebemos que o Mateus tinha comportamentos diferentes, particularmente na Escola. Procuramos por profissionais, indicados pelos professores, e foram inúmeras as consultas, com os mais diferentes e complexos diagnósticos, com as mais diversas tentativas de tratamentos, sem nenhum ou pouco resultado.

Durante esses anos o sofrimento do Mateus era indescritível, porque não se entendia, tinha recriminações de todos os lados, e sua auto-estima era baixíssima. Só aos 14 anos que conseguimos o diagnóstico definitivo, Dislexia Severa. Foi a melhor coisa que nos aconteceu. Principalmente ao Mateus. Pelo menos sabíamos o que lhe acontecia.

A partir daí, começamos o resgate de tudo o que tinha se quebrado ou distorcido. E como todos sabem, a Dislexia tem como sintoma central a dificuldade de ler e escrever. Para quem consegue ler e escrever sem dificuldades, não imagina as dificuldades, transtornos e constrangimentos que isso trás para quem não consegue fazê-lo.

Sou cega e me utilizo de um software ledor de telas, que permite que eu leia os meus livros em formato digital por meio de voz sintetizada no computador. Foi então que percebemos que esse sistema o ajudava também, na medida que facilitava imensamente o seu contato com a leitura pela associação da audição com a visão simultânea do texto na tela.

Assim, meu filho conseguia ler os livros indicados pela escola, e quando em sala de aula, participava dos debates, começou a conquistar um espaço anteriormente nem sonhado junto aos professores e amigos de classe. Conseguiu demonstrar seu potencial intelectual, porque é comum os Disléxicos serem vistos como pessoas com baixa cognição.

Meu filho então começou a ter segurança para se aproximar e conversar com os amigos e professores, porque se sentia em condições de participar mais das atividades escolares. Hoje, com o auxílio do software leitor de telas e com os livros digitalizados, infelizmente muito raros e que eu mesma tenho que produzir, ele se torna cada vez mais competente, mais informado e mais seguro do seu potencial e da sua responsabilidade para consigo mesmo, com sua família e com a sociedade.

Autora: Deise Fernandes
Contato: deise@cpfl.com.br.

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