Você está no topo da página.

São Paulo, sábado, 19 de agosto de 2017 - 06:22.

Blog do Livro Acessível Universal - Página inicial [1].

Você está no conteúdo principal desta página.

Transporte público acessível em São Paulo?! Que nada, vão de taxi!!

Publicado em: 21 de novembro de 2010 às 8:58.

Ilustração: Desenho de passageiros em um taxi amarelo

Caros amigos, nas duas matérias abaixo, retiradas do jornal Folha de São Paulo de hoje, do caderno Cotidiano, percebemos aquilo que chamamos de Projeto Primeira Página ou PPP, quer dizer, aquele projeto que é anunciado e inaugurado com pompa e circunstância, com fita cortada, imprensa postada, fotos e mais fotos nos jornais, revistas, tablóides, sempre na primeira página é claro, no entanto, dias depois ninguém mais se lembra deles, pois não tiveram continuidade, afinal, eram projetos para primeira página e não para a história.

Outro ponto interessante nessa questão é a coisa de substituir o transporte coletivo, público, pelo uso do transporte privado, particular, como o taxi. Porém, não é uma substituição opcional, na qual o cidadão prefere ir com mais conforto ou chegar mais rápido, pagando mais caro obviamente. O que acontece é que as pessoas com deficiência são obrigadas a escolher entre esse tipo de transporte ou simplesmente não saírem de casa.

Isso nos fez lembrar da célebre frase que informam ser de autoria de Maria Antonieta, Rainha da França às vésperas da revolução, que respondendo a informação de que o povo não tinha pão para comer, trazida por seus conselheiros, disse-lhes: “Então, que eles comam brioches!”.

Sendo assim, senhores cadeirantes, por gentileza, já que não temos ônibus ou transportes coletivos em quantidade e qualidade para o seu deslocamento pelas cidades, é fácil resolver… Vão de taxi!!

Fiquem com as matérias…

São Paulo tem só 35 táxis acessíveis para cadeirantes
Programa lançado com alarde pela prefeitura em fevereiro de 2009 previa pelo menos 80 carros adaptados na cidade

Taxistas afirmam que programa dá prejuízo; alguns passaram até a pagar IPVA, imposto do qual a categoria é isenta

CRISTINA MORENO DE CASTRO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Lançado com alarde pela Prefeitura de São Paulo no início de 2009, o programa de táxis acessíveis patina.
De 80 alvarás previstos para carros adaptados, só 35 estão em uso -a frota de táxis na cidade é de 32.611 e o número de pessoas com deficiência supera 1 milhão.
Os motoristas reclamam que, além de terem de gastar R$ 32 mil em adaptações, acabam punidos pelo poder público: muitos passaram a pagar IPVA, imposto do qual o taxista paulistano é isento.
Quando o programa começou, o taxista Marcelo Freitas, 38, foi um dos primeiros a circular com seu carro de teto elevado, piso especial e elevador para cadeirantes.
Há um mês, pensou: “Deixa eu sair logo, enquanto dá tempo”. Desistiu do negócio.
“Estava dando prejuízo e dor de cabeça, eu não queria ficar com o nome sujo”, diz.
Seu relato coincide com o de outros dez taxistas autônomos ouvidos pela Folha.
Não existe uma divulgação dos serviços nem pontos de atendimento especiais.
Não é à toa, afirmam, que os 80 alvarás estão ociosos.
Além dos dez motoristas autônomos, há mais 25 carros adaptados, segundo a prefeitura, integrando frotas.
De acordo com Ricardo Auriemma, 40, presidente da associação das frotas de táxi, o serviço ainda não dá lucro, mas também já não dá mais prejuízo para as empresas.

ESPERA
Pessoas com deficiência que querem ou precisam usar táxi acessível agendam a corrida até um dia antes para não ficarem na mão.
A analista de sistemas Sandra Maciel, 64, vice-presidente de uma ONG voltada para deficientes visuais, não consegue usar outro tipo de veículo, por causa da má formação óssea congênita que fragiliza seu corpo. “A rotina é ficar esperando”, diz ela.
O problema já foi constatado pela Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida há cerca de um ano, segundo o chefe da pasta, Marcos Belizário.
Para ele, todos -taxistas e usuários- têm razão. Ele defende que se faça um novo sorteio de alvarás, com novas regras, atendendo a algumas das demandas dos taxistas, como criação de pontos em locais estratégicos, como hospitais e clínicas de reabilitação, e subsídio inicial.
Segundo ele, a proposta já foi levada à Secretaria Municipal dos Transportes, responsável pelas mudanças.
A pasta dos Transportes afirma que os pontos específicos para táxis acessíveis estão em estudo, mas descarta dar subsídio -na semana passada houve uma primeira reunião com a categoria.
A secretaria não comentou a falta de adesão ao projeto.
A Secretaria de Estado da Fazenda disse que os taxistas voltaram a pagar o IPVA porque, na hora da adaptação, a empresa que fez o serviço classificou o veículo indevidamente como “misto”, submetendo-o ao imposto.
Motoristas que tiveram esse problema podem pedir a isenção, que passará a valer para o exercício seguinte.

ANÁLISE TÁXIS ACESSÍVEIS

Serviço vira substituto do transporte público
Muitos cadeirantes que dependem exclusivamente de táxis acessíveis são obrigados a selecionar suas saídas na cidade

SÓ QUEM TEM MAIOR MOBILIDADE OU VIGOR FÍSICO PODE DIRIGIR OU CHEGAR AO PONTO DE ÔNIBUS OU À ESTAÇÃO DE METRÔ
LEONARDO FEDER
ESPECIAL PARA A FOLHA

Os táxis acessíveis, para quem pode bancá-los, são uma boa alternativa de transporte em São Paulo, onde ainda persistem obstáculos nas calçadas e ônibus e metrô nem sempre adequados.
Mas o número de táxis acessíveis é pequeno. Além disso, atrasos ocorrem com frequência, principalmente entre os motoristas de frota.
A razão do baixo número de carros está no valor que os taxistas têm de pagar para adaptar o veículo: R$ 32 mil.
Isso desestimula a adesão de motoristas. Eles terão que contrair dívidas e trabalhar por muito tempo para recuperar todo o investimento.
Para os cadeirantes, a maior reclamação é o preço.
Embora a tarifa do táxi acessível seja igual à do comum, muitos usam o serviço como substituto do transporte público. Não há muita opção.
Só deficientes com maior mobilidade ou vigor físico podem dirigir ou, como atletas, superar calçadas irregulares, chegar ao ponto de ônibus ou à estação de metrô.
Como poucos podem bancar o uso do táxi todos os dias -só a taxa de chamada custa R$ 7,00-, muitos usuários que dependem exclusivamente dele fazem uma seleção dos lugares que consideram mais importantes para ir. Muitos cadeirantes acabam privados do lazer.
Ir ao trabalho já significa um gasto alto, a não ser que a empresa tenha convênio com uma frota de táxi acessível ou que custeie essa despesa -o que é muito raro.
Por isso cabe à prefeitura dar algum tipo de isenção ao motorista a fim de estimular as adesões ao ramo dos táxis acessíveis. Só assim haverá o aumento da frota especial.
É importante não se esquecer da acessibilidade das calçadas e dos transportes de massa. São questões que precisam se tornar prioritárias nas políticas públicas de modo a oferecer alternativas viáveis para o deslocamento cotidiano de cadeirantes.

LEONARDO FEDER, cadeirante, é jornalista

FacebookCompartilhar no Facebook.

Twitter.Publicar no Twitter.

Postado por: Administrador.
Arquivado na categoria: Mídia comentada, Obscegatório Urbano.
Assuntos relacionados: , , , , , .
Visitado 7474 vezes, 1 foram hoje.
1 comentário

1 Comentário

  1. Comentário feito por: Emerson em 19 de janeiro de 2011 às 23:29.

    GOSTARIA DE TRABALHAR COM ESTE TIPO DE SERVIÇO DE TÁXI ACESSÍVEL ,ACHO MUITO INTERESANTE,FALTA MESMO É DIVULGAÇÃO DO SERVIÇO ,TEM MUITO A MELHORAR E GOSTARIA DE UM SERA DE FAZER PARTE DE UM SERVIÇO ESPECIAL COMO ESTE. A PREFEITURA DEVE SIM EMITIR NOVOS ALVARÁS E EXIGIR UM CURSO DE TAXI ESPECIAL\ LUXO COMO DIFERENCIAL PARA ATENDER ESTE PÚBLICO.

RSS dos comentários deste post.

Deixe seu comentário:

Dados do comentarista




Os mais lidos:

  1. Ilusões - Paródia sobre a farsa das 70 ações inclusivas em SP (23473 vezes)
  2. Direitos humanos e pessoas com deficiência: Chorando nossos cadáveres! (22537 vezes)
  3. DENÚNCIA!! Nova Lei de Direitos Autorais ignora direitos das pessoas com deficiência (16282 vezes)
  4. Bradesco amplia acessibilidade e inclusão!! Morra de inveja Itaú!! (15419 vezes)
  5. Eleições 2012: TSE corrige falha nas urnas acessíveis (14568 vezes)
  6. Quem escolhe o livro que voce lê? Parte 1 - Denúncia (13243 vezes)
  7. Companhia Das Letras, Editora Contexto e Grupo GEN editorial contra um leitor cego (12265 vezes)
  8. MEC: Censo Escolar 2010 aponta dados estarrecedores para alunos com deficiência (12042 vezes)
  9. Blog do livro acessível! Lançamento hoje, dia 21 de setembro (11608 vezes)
  10. Secretária Linamara e deputada Mara, que vergonha, que papelão! (11254 vezes)

Voltar ao topo da página.

Copyright © 2008 Livro Acessível.
Todos os direitos reservados.