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Scanner: A salvação da leitura das pessoas com deficiência visual

Publicado em: 20 de outubro de 2010 às 8:42.

Ilustração: Foto de um scanner sendo utilizado para digitalizar livro

Ilustração: Foto de um scanner sendo utilizado para digitalizar livro

Deixamos aqui algumas dicas para pessoas com deficiência visual que precisam ler em quantidade e qualidade e que ainda, infelizmente, não podem contar com os livros em formatos acessíveis diretamente nas editoras, livrarias ou bibliotecas públicas desse país. Bom, pessoal, como ainda não temos o direito à leitura garantido no Brasil, temos que “nos virar nos trinta” e procurarmos construir nossas próprias leituras. Vamos ver até quando essa situação escandalosa vai persistir.

Na verdade não seria exatamente construirmos nossas leituras, elas já existem e são os mesmos livros impressos, formato que não nos atende, , por isso somos obrigados a reconstruir esses livros se quisermos transformá-los em formatos acessíveis à nossa condição de pessoas cegas ou com baixa visão. Nesse sentido temos que nos instrumentar com equipamentos e ajudas técnicas que, graças à inteligência humana, já existem aos montes e acessíveis a todos os bolsos e condições sociais.

Neste caso especificamente estamos falando de hardwares conhecidos como scanner e dos softwares conhecidos como O.C.R. )reconhecedores óticos de caracteres), além é claro dos softwares leitores de tela. O scanner captura a imagem de qualquer documento posicionado sobre sua lente, em seguida o O.C.R. faz a transformação daquela imagem em texto digital por meio de um processo complexo que separa imagem de texto. No final, o leitor de tela faz a leitura em voz alta e sintetizada do resultado da digitalização.

Graças a essa maravilhosa tecnologia, as pessoas com deficiência visual libertaram-se há tempos da escravidão do assistencialismo raso e reducionista. Libertaram-se há tempos da falta completa de informação a sua escolha, pois até então essas pessoas só podiam ler aquilo que seus tutores, bem ou mal intencionados, gravassem em fita k7 ou transcrevessem em braile para elas. E como todos nós sabemos, quem tem o poder de gerar a informação de uma maneira tão inescapável para outra pessoa, pode escolher dar a informação que for mais favorável para si própria é claro.

Por meio da utilização do trio tecnológico acima – scanner, O.C.R. e leitor de tela – as pessoas com deficiência visual podem com independência escolher o livro que desejam, fazendo de maneira autônoma a digitalização desse conteúdo, obtendo a informação da própria fonte original. Assim sendo, vamos ao que interessa e que é falar dos scanners e como fazer para utilizá-los.

Os preços variam muito, dependendo da sofisticação do produto, mas com certeza podemos hoje em dia adquirir aparelhos desse tipo a partir de R$ 200,00 dependendo de sua configuração e resolução de imagem, isto é, a quantidade de pontos que compõe a imagem capturada pelo aparelho. Quanto maior o número de pontos, mais definida e nítida a imagem, conseqüentemente, melhor a sua transformação posterior em texto digital.

Citando apenas algumas marcas aqui, cientes que existem muitas outras, teríamos scanners HP, CANNON, XEROX, EPSON, entre outras, cada qual com seu software O.C.R. característico e que pode facilitar mais ou menos a vida de quem manipula seu funcionamento dependendo da acessibilidade do programa ao leitor de tela.

Causou-nos bastante surpresa a operação de um scanner da marca PLUSTEK, o Book Reader V100. O diferencial desse equipamento é que ele dispensa a instalação do software leitor de telas para pessoas com deficiência visual, pois já contém uma síntese de voz embarcada e que é inserida no computador do usuário no momento da instalação do aparelho. Uma voz feminina, suave e bastante clara, faz a leitura em tempo real do texto durante a digitalização do livro. Para as pessoas cegas que já tem familiaridade com vozes sintetizadas, trata-se da voz da “Raquel”.

O problema do Plustek Book reader por enquanto, está no seu preço ainda um pouco acima da média para esse tipo de produto, mas que tem a tendência de queda em face da grande demanda, uma vez que é uma ferramenta realmente muito interessante para as pessoas com deficiência visual, tendo sido desenvolvida pensando-se justamente nelas. Por isso, a acessibilidade, o desempenho e a praticidade do aparelho compensam o investimento.

A operação do aparelho Plustek book reader é super simples, desde sua instalação até o momento do uso para a digitalização de livros. Para instalar é preciso apenas colocar o cd-ron de instalação na unidade específica e o programa faz o resto. Já na operação de escaneamento basta apertar um dos três botões, todos identificados em braile, para que imediatamente o aparelho entre em funcionamento fazendo a captura da imagem sobre a lente. Ao terminar a digitalização, que não dura mais do que 5 segundos por página, a voz da “Raquel” começa a narrar o resultado da digitalização.

Esquecemos de explicar, para os leigos, o que seria o software “leitor de tela”, que é na verdade um programa desenvolvido especificamente para a adaptação de computadores para pessoas com deficiência visual. Programa este que faz a varredura da tela do computador, captando toda informação textual e direcionando-a para outro programa chamado “sintetizador de voz” que faz a leitura em voz alta das informações encontradas pelo leitor de tela.

No caso específico do scanner Book reader da Plustek, o programa leitor de telas é dispensável, uma vez que o scanner ao ser instalado já insere também no computador um sintetizador de voz para a operação básica do aparelho e a leitura automática dos textos gerados. Isso o torna bastante interessante para o uso dentro de uma biblioteca, por exemplo, quando se deseja a leitura rápida de livros, inclusive, o texto digital gerado pode ser gravado em uma unidade removível para que o leitor leve consigo e possa acessar mais tarde.

Portanto, deixamos aqui a dica também para os amigos bibliotecários de espaços procurados por pessoas com deficiência visual, para pesquisarem mais sobre esse aparelho e procurarem conhecê-lo melhor. Certamente a biblioteca de vocês se tornará um espaço muito mais inclusivo e agradável para todos que o procurarem sem exceções.

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Postado por: Administrador.
Arquivado na categoria: Dicas e Toques / Mitos e Lendas.

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4 comentários

4 Comments

  1. Comentário feito por: Iracema Vilaronga em 23 de outubro de 2010 às 17:38.

    Olá Naziberto! Concordo com você em todos os pontos discutidos no texto acima, exceto quando você diz: “Nesse sentido temos que nos instrumentar com equipamentos e ajudas técnicas
    que, graças à inteligência humana, já existem aos montes e acessíveis a todos os bolsos e condições sociais.”??? Considerando os quase 17% da população brasileira com deficiência visual, será mesmo que todos teriam condições sócio-econônica de adquirir tais equipamentos? Creio ser um tanto ingênua, para não dizer perigosa, tal afirmação.

  2. Comentário feito por: Beto em 25 de outubro de 2010 às 9:08.

    Cara Iracema,

    Primeiro obrigado por sua visita, participação e comentário. Quero dizer que o que verdadeiramente vai resolver o problema da leitura das pessoas com deficiência no Brasil é a imediata implementação de uma política de livro e leitura que contemple todas as pessoas desse país, fazendo que as próprias editoras produzam os livros em formatos que contemplem a diversidade dos leitores.

    A questão do scanner é um paliativo, mas que desde que foi descoberto por nós, pessoas com deficiência visual, vem garantindo de maneira razoável nossa leitura, nossos estudos, nossas pesquisas, nosso desenvolvimento cultural e acadêmico, por isso, infelizmente eles ainda são a salvação de nossa lavoura. Eu, contrariamente de você, ainda acredito que um equipamento desses seja sim acessível à maioria das pessoas com deficiência, em termos individuais, no entanto, eu defendo ainda mais a sua aquisição por instituições como bibliotecas, pontos de leitura, escolas, telecentros, possibilitando aos alunos e freqüentadores desses espaços, condições mínimas de acesso aos conteúdos disponíveis nesses locais.

    No restante, cabe a nós, pessoas com deficiência com um pouco mais de condições de nos equiparmos com as novas tecnologias, não desistirmos nunca de transformarmos esse quadro deprimente de coisas e que é a exclusão do livro e da leitura de nossos colegas com deficiência visual, os quais ainda não podem adquirir um equipamento e deixarem literalmente a escuridão do conhecimento.

    Abraços

  3. Comentário feito por: Eliana Mesquita em 12 de novembro de 2015 às 12:08.

    GOSTARIA DE DETALHES SOBRE SCANNER QUE LEEM TEXTO PARA MINHA FILHA QUE É DEFICIENTE VISUAL.COMO PODEMOS CONHECER, TESTAR E ADQUIRIR?
    MORAMOS EM SALVADOR BAHIA
    OBRIGADA
    ELIANA MESQUITA

  4. Comentário feito por: Administrador em 19 de novembro de 2016 às 4:33.

    Cara Eliana, procure na Internet um equipamento da fabricante Plustek e modelo Bookreader v200. Pode achar no site da representante no Brasil a empresa Macro Solution. Trata-se de um equipamento que ao mesmo tempo que digitaliza a página do livro já vai falando em voz alta o seu conteúdo. Possui uma ergonometria perfeita para a digitalização de livros e um custo benefício bastante viável. Esperamos que voce tenha sucesso e sua filha consiga se desenvolver bastante com a ajuda desse equipamento. NO entanto, saiba que isso é um paliativo, pois o correto é que voce exiga de toda editora de livros que procurar para sua filha, o cumprimento da LBI Lei Brasileira da Inclusão, Artigos 42 e 68, que obriga toda editora a vender o livro já no formato acessível para sua filha. Não abra mão desse direito que conquistamos recentemente com a vigência da Lei Brasileira da Inclusão que passou a produzir efeitos a partir de 2 de janeiro deste ano. Qualquer problema entre em contato conosco ok? Pode enviar email diretamente para mollalivroacessivel@gmail.com
    Grande abraço e boa sorte

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