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REATECH 2012: Há 11 anos inacessível para cegos!!

Publicado em: 19 de abril de 2012 às 22:54.

Ilustração: Placa de trânsito contendo imagem de uma pessoa dentro de um círculo vermelho e com uma faixa diagonal vermelha simbolizando proibido a passagem

Ilustração: Placa de trânsito contendo imagem de uma pessoa dentro de um círculo vermelho e com uma faixa diagonal vermelha simbolizando proibido a passagem

O minúsculo e significativo artigo da folha de São Paulo do dia 14 de abril de 2012, que colo abaixo, do caderno cotidiano, retrata a gigantesca exclusão e humilhação cotidianas pelas quais passam as pessoas com deficiência visual em nossa cidade e por que não dizer em todo nosso País.

em pleno Estado de São Paulo, dentro da Cidade de São Paulo, Estado e Cidade que possuem orgãos públicos – Secretarias de Governo que se dizem especificamente voltadas aos “direitos” das pessoas com deficiência, em pleno Século XXI, em pleno ambiente teoricamente voltado ao público com deficiência, em pleno evento que tem como rótulo “feira de acessibilidade”, em meio a tudo isso, as pessoas com deficiência visual continuam sendo humilhadas de tal maneira.

Vejam a matéria da folha de São Paulo para subsidiar nossas colocações e depois continuamos…

“São Paulo, sábado, 14 de abril de 2012.

Voluntário de evento para deficiente não sabe guiar cego.

FILIPE OLIVEIRA.
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA.

Na segunda maior feira do mundo dedicada a produtos e serviços para pessoas com deficiência, voluntários que guiam cegos estão despreparados para a função.
O repórter da Folha, que tem baixa visão, visitou ontem a Reatech -Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade, que está aberta até amanhã em São Paulo.
As duas voluntárias que o acompanharam, ambas alunas do primeiro ano do curso de terapia ocupacional, disseram ter recebido uma aula para aprender a guiar.
Uma delas, porém, não sabia o básico: a forma segura de conduzir o deficiente. Segurou o braço do repórter com as duas mãos, fazendo com que ele andasse em sua frente. O correto seria deixá-lo segurar em seu cotovelo e andar na frente dele.
Também não conheciam o espaço da feira. “Se precisasse de ajuda, ia querer andar com alguém que sabe onde vai”, disse outra voluntária.
No evento, faixas em alto relevo no chão orientavam os cegos, mas ficavam obstruídas pelos visitantes.
Segundo a diretora Malu Sevieri, a feira está evoluindo na questão de acessibilidade, mas ainda há o que melhorar. “Caso houvesse mais exigência na capacitação, seria mais difícil encontrar [voluntários] interessados”, diz.”

Continuando, isso é uma retunbante vergonha para os organizadores, vergonha para o Governo de São Paulo, Estadual e Municipal, vergonha para os expositores, vergonha para os políticos do nosso Estado que dizem lutar pelos Direitos das pessoas com deficiência, vergonha ampla, geral e irrestrita.

vergonha também e principalmente para o próprio segmento de pessoas com deficiência visual, afinal, um velho adágio popular diz que qualquer pessoa tem na vida somente aquilo que ela merece. pois é, se nós, pessoas com deficiência visual, não temos uma REATECH acessível é porque não merecemos uma REATECH acessível.

A sociedade como um todo acaba reconhecendo e incluindo, mesmo que na marra, aquele segmento que luta com unhas e dentes por sua inserção social, que se indigna com a exclusão, que não se conforma com a falta de garantia de seus direitos individuais e coletivos, por isso grita, clama, protesta, reivindica.

Do outro lado, nós, pessoas com deficiência visual, incapazes de nos indignarmos contra isso, incapazes de exercermos pressão junto as autoridades para que essa situação seja transformada, sem ao menos noção de que temos direito a inserção social plena, enfim, sem eira nem beira, ficamos aqui, um exército constituido por milhões de zés e marias ninguém! insalubres, inodoros, insípidos, imóveis e por fim… invisíveis.

E saibam todos que o Centro de Exposições Imigrantes, que recebe a REATECH ha 11 anos, onze anos!!! pertence ao governo do Estado de São Paulo, mais propriamente a Secretaria Estadual de Agricultura, portanto, um espaço público.

E qual seria uma solução para esse problema?

Na verdade o que defendemos é que não haveria necessidade de voluntários, bem ou mal treinados, para guiar os cegos se a feira fosse realmente acessível. O piso tátil que foi colocado ali, ha 3 anos, foi uma primeira tentativa de fazer com que essas pessoas pudessem andar pela feira com autonomia e independencia. Naquele momento parabenizamos os organizadores pela ação. Participamos de diversas reuniões com os organizadores da REATECH tentando conscientizá-los da importancia da feira oferecer aquilo que ela propagandeia, ou seja, acessibilidade.

Naquele primeiro momento o que foi possível fazer foi a colocação de placas táteis direcionais sobre a forração dos corredores. Vejam bem, sobre uma parte da feira, não a feira toda, o que seria o correto. E ainda ha de se destacar que esse custo foi absorvido totalmente pelos organizadores. O Governo Estadual lavou as mãos ignorando o fato. A Prefeitura idem.

Um segundo movimento seria a implantação de sinalizadores, audioguias, tecnologia eletrônica existente e que proporcionaria praticamente 100% de independencia e autonomia para que as pessoas cegas andassem sozinhas pela feira sabendo por onde estão passando. Para isso bastaria colocar uma mini antena em cada stand que emite um sinal para um aparelho receptor na mão da pessoa cega disparando uma mensagem gravada. Por meio de um fone de ouvido a pessoa fica sabendo exatamente por onde está passando, stand, lanchonete, banheiro, etc. E o aparelho é cedido na entrada da Feira e recolhido ao final dela.

Somente com aquele piso tátil que foi instalado as pessoas cegas conseguem rastrear com suas bengalas, porém, seguindo em uma linha interminável e sem saber nada do que se passa a sua volta, sem saber quais os stands que estão ao seu redor, ou seja, caminham por uma parte da feira sem saber o que há na feira.

Portanto, Enquanto os organizadores da REATECH, bem como os expositores e o governo de São Paulo, Estadual e Municipal, não tiverem vergonha na cara e decidirem ter uma REATECH que honre o título de feira de acessibilidade, as pessoas com deficiência visual de São Paulo e do Brasil que tiverem o desprazer de visitar esse evento, para o qual fica claro que nunca foram bem vindas, podem escolher entre duas humilhações, a imposta no dia-a-dia pelas ruas, sem transporte, sem calçadas, sem sinais sonoros, sem informações acessíveis de todo e qualquer tipo, ou então a humilhação imposta pela “feira de acessibilidade” que só possui acessibilidade, para pessoas com deficiência visual, no rótulo e na garganta daqueles que discursam por lá todos os anos sobre os palanques no dia da abertura.

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