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Pessoas com deficiência e o metrô de SP: Existirá luz no fim do túnel?! 2

Publicado em: 9 de dezembro de 2010 às 11:27.

Ilustração: Foto das placas direcional e de alerta

Estrada de tijolos azuis… Para onde vai você?

Dando continuidade as nossas observações e críticas a respeito do trânsito de uma pessoa com deficiência dentro do sistema de metrôs da cidade de São Paulo, vamos nos debruçar hoje sobre o piso podotátil, aquela estrada de placas azuis e amarelas que são instaladas no piso das estações para orientação do deslocamento de pessoas cegas ou com baixa visão.

As placas azuis, constituídas de fileiras de barras longitudinais salientes, são conhecidas como piso direcional, ou seja, levam a pessoa em uma determinada direção que deve estar livre de barreiras ou obstáculos. As placas amarelas, constituídas de diversas bolinhas salientes, são conhecidas como piso de alerta, ou seja, avisam o usuário que naquele ponto existe alguma mudança de direção na linha ou algum obstáculo em frente.

Caso essas placas fossem colocadas em todas as estações e de maneira a abranger todas as alternativas existentes, o problema de deslocamento autônomo dos usuários com deficiência visual estaria resolvido, no entanto, não é isso que acontece. Muitas delas são descontinuadas sem nenhuma conexão com outro piso, outras induzem o usuário a choques ou esbarrões quando passam muito próximo de paredes ou obstáculos, entre outras falhas inaceitáveis. Vamos citar aqui dois exemplos de estações que mais utilizamos para ilustrar o que estamos tentando dizer.

Estação Praça da Árvore:

A estação acima pertence à linha azul (Norte-Sul), localizada abaixo da Avenida Jabaquara, possuindo duas entradas/saídas, uma delas pela própria praça e outra pela Rua Guaraú. Internamente ela possui dois conjuntos de bloqueios para a entrada ou saída dos usuários que embarcam ou desembarcam no sentido Norte ou Sul da cidade, quer dizer, Tucuruvi ou Jabaquara. A bilheteria fica instalada a direita de quem chega pela Praça da Árvore e o SSO fica a direita de quem chega pela Rua Guaraú.

Pois bem, chegando pela Rua Guaraú, ao final da escada fixa, começa a pista azul que leva à bilheteria ou ao bloqueio, porém somente dá acesso ao bloqueio da direita, impedindo de acessarmos o bloqueio da esquerda, que é aquele que conduz o usuário próximo ao primeiro carro, local tradicional para o embarque de pessoas com deficiência. Pelo contrário, o bloqueio da direita de quem chega pela Guaraú faz com que o usuário acesse a plataforma pelo final, quase no último carro, tendo que cruzar toda extensão da mesma para atingir o primeiro carro.

Contudo os problemas não param ai. Depois que cruzamos o bloqueio acima, temos poucos metros de piso azul e nada mais. A pista termina inexplicavelmente e a sua sensação é a de que o mundo acabou ali. E agora? O que fazer? Para onde seguir? Graças à solidariedade dos usuários do sistema ou a presença incomum de algum jovem cidadão, sempre conseguimos chegar até a plataforma de embarque, mas se dependêssemos daquela pista azul, esqueçam!

Mesmo que conseguíssemos chegar até a escada que dá acesso à plataforma de embarque, vejam que ironia, estamos no último carro e precisamos embarcar no primeiro carro. Qual a surpresa? O piso azul não existe naquela área. Ele só começa do meio da plataforma para frente, quer dizer, um contrassenso total. Somos obrigados então a rastrear a plataforma perigosamente até encontrarmos o início da pista azul que somente então vai nos conduzir em segurança até o embarque no primeiro carro, ufa!

Seria engraçado se não fosse trágico! Quem será que projetou tal atrocidade? Quem foi o engenheiro “expert” em acessibilidade que desenhou tal armadilha? Pedimos desculpas pelo tom, mas não dá para compreender que alguém em sã consciência acredite que aquilo seja acessibilidade, que aquilo seja útil para as pessoas com deficiência visual do jeito que está apresentado, pois encontramos erros grotescos do início ao fim.

Estação Barra Funda:

A estação acima pertence à linha vermelha (Leste-Oeste), está localizada paralelamente à Av. Auro Soares de Moura Andrade e possui diversas entradas e saídas, uma vez que dentro dela existe conexão para terminal rodoviário e ferroviário. Assim, o movimento interno é gigantesco. A estação possui apenas um único conjunto de bloqueios, mas que oferece uma verdadeira maratona para que um usuário com deficiência visual possa chegar até ele.

São trechos e mais trechos sem o piso azul, são bloqueios instalados sobre o piso, o que provoca diversos acidentes quando usuários se chocam contra os mesmos, não por inabilidade dos usuários, mas por falta de noção na instalação do recurso. Existe um corrimão que cobre o piso tátil, instalado sobre o mesmo, isso faz com que antes da bengala encontrar o piso tátil, o corpo encontre o corrimão. Não precisamos de muita experiência nessas coisas para perceber os equívocos quando notamos as falhas e secções no piso tátil.

Na plataforma de embarque outra coisa grotesca: A pista azul passa muito rente aos obstáculos da plataforma, telefones, lixeiras, elevador. Uma vez perguntando a um funcionário, o mesmo nos respondeu que eles haviam instalado a pista baseados na informação de que os cegos seguram suas bengalas com a mão direita. Quer dizer, tiraram o direito dos canhotos de serem canhotos, um absurdo! Assim, seguindo a pista que leva para o elevador, corremos o risco, caso não sigamos com extremo cuidado, de trombarmos com um totem de telefone, duas lixeiras e a própria parede do elevador.

Em suma, essa postagem é para dizer, em primeiro lugar que a instalação desse recurso de acessibilidade é bem vinda e extremamente necessária, por isso agradecemos pelo oferecimento do mesmo. Todavia, em segundo lugar, temos que alertar para esses equívocos primários, essas falhas grotescas e que demonstram, à primeira vista, que o recurso parece estar sendo implantado de maneira equivocada e atabalhoada e sem contar com a ajuda dos principais interessados e que somos nós, as pessoas com deficiência visual e que precisamos tanto dele.

Informamos que continuaremos nessa caminhada em busca da estrada de tijolos azuis em outras estações e traremos para cá nossas avaliações. Seria muito importante que outras pessoas com deficiência visual também fizessem essa avaliação, pois certamente essas postagens deverão chegar às pessoas responsáveis pela acessibilidade no sistema metroviário de São Paulo e que poderão tomar alguma providência a respeito, portanto, nos ajudem, por gentileza.

P.S.: Para não dizerem que não estamos pensando no Desenho Universal e que nos preocupamos somente com as pessoas com deficiência visual, informamos também que na estação Praça da Árvore não existe elevador para cadeiras de rodas, mas na estação Barra Funda elas já estão presentes..

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