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Pessoas com deficiência e o Metrô de SP: Existirá luz no fim do túnel?!

Publicado em: 30 de novembro de 2010 às 9:09.

Ilustração: Foto de um bilhete do metrô

Jovem Cidadão, onde está você?!

Sou pessoa com deficiência visual e usuário do metrô de São Paulo. Nesse sentido tenho muitas histórias para contar, infelizmente a maioria delas não muito agradáveis, mas que precisam ser registradas de alguma maneira para que alguma providência seja tomada o quanto antes.

Quero falar nessa postagem a respeito da agilidade do deslocamento de um usuário com deficiência pelas estações, que já foi melhor, mas vem apresentando uma crescente precarização, em virtude do baixo número de funcionários, aliada a uma política estranha de implementação de recursos de acessibilidade e que não parece levar em consideração a opinião do usuário mais interessado naquele recurso.

Lembro-me bem de que há cerca de 20 anos o deslocamento por entre as estações era muito rápido e seguro devido ao apoio dos funcionários regulares do sistema, que funcionavam como um relógio suísso, saíamos de uma estação, a mensagem era passada pelo sistema, e ao chegarmos à estação de desembarque, lá estava o outro funcionário nos esperando para complementar o apoio.

O tempo passou, o sistema cresceu, passou a atender mais pontos de nossa cidade, porém, a viagem de uma pessoa com deficiência visual, por exemplo, vem se tornando um verdadeiro martírio, um estresse constante, apesar dos metros e metros de piso azul que se nota pelas estações, conhecido como piso podotátil, mas que na maioria dos casos é colocado de maneira atabalhoada.

Nessa primeira postagem quero falar do programa “Jovem Cidadão”, que contrata, em caráter de estagiários, jovens adolescentes em período escolar, até o final do 2º grau, para atuarem como apoio nas estações, auxiliando as pessoas com deficiência visual a se deslocarem nas estações e nas baldeações, executando o trabalho que os funcionários regulares faziam até então.

Pois bem, no início parecia que daria certo, no entanto, a crescente demanda de funcionários operacionais nas estações e o não preenchimento dessas vagas por meio de abertura de novos concursos vêm fazendo com que esses jovens estagiários sejam deslocados cada vez mais para outras funções que não a sua original. Passam então, esses meninos e meninas, a atuarem como fiscais de plataformas, nos balcões de informações, na organização de filas de embarque, entre outras atividades.

E como ficam os usuários com deficiência, que cada dia que passa procuram mais o metrô como transporte para o trabalho, lazer, estudo, se esses jovens cidadãos estão ocupados com outras atividades? Ficam esperando. Uma espera que pode girar entre 1 e até 20 minutos, dependendo da estação e do horário escolhido, na verdade pode ser eterna, não fosse a extrema solidariedade do usuário comum do sistema que sempre se oferece para auxiliar uma pessoa com deficiência, ao notar que a mesma está necessitando.

Alguns podem pensar, ah, mas você está muito exigente, uma esperazinha de 1, 5 ou 10 minutos não é nada. Será? Será que você, usuário sem deficiência, que se desloca de maneira autônoma e ágil pelas estações, correndo atrás de seus afazeres, compromissos, responsabilidades, toparia ficar parado esperando esse tempo esperando para somente depois poder seguir seu caminho?

Será que as pessoas com deficiência não tem também seus compromissos? Será que essas pessoas também não possuem agendas apertadas? Será que elas não precisam chegar ao seu local de trabalho, de estudo, a uma consulta médica ou a um simples encontro social na hora marcada? Será que elas, apenas por possuírem uma deficiência podem esperar sem demonstrar nervosismo e impaciência?

Desculpem-nos, caros leitores, mas a resposta para a última pergunta acima é não! Nós também temos sangue nas veias e sentimentos idênticos aos das pessoas sem deficiência. Ficamos nervosos, impacientes, apreensivos, preocupados, fulos da vida quando nos atrasamos ou perdemos algum compromisso agendado. Também temos nosso cotidiano que tem a mesma importância que a de qualquer outro cidadão paulista.

Apropósito, cidadão é a palavra, exercício da cidadania, direito de ir e vir, de escolher, de optar, coisa que no metrô de São Paulo está nos faltando, pois não temos como escolher esperar ou não, se esperamos podemos nos atrasar, se seguimos podemos nos perder ou machucar diante de algum obstáculo desconhecido. Enfim, a situação precisa de uma revisão emergencial.

Os tais jovens cidadãos estão cada vez mais raros, insuficientes em determinadas estações de altíssimo fluxo, ontem, por exemplo, fiquei 15 minutos aguardando o auxilio na estação Barra Funda, na estação Sé não encontrei ninguém, precisando contar com a ajuda do público, e ao chegar à estação Praça da Árvore, fui informado pelo funcionário regular que a estagiária que atuava ali, havia encerrado o contrato e até o momento não tinha previsão de outra pessoa para o lugar dela.

Por isso questionamos… Jovem Cidadão, onde está você?! Aproveitamos e solicitamos ao Exmo. Governador eleito Dr. Geraldo Alckmin, que irá assumir a partir de janeiro do ano que vem, que se debruce sobre essa questão, que solicite a nossa ajuda para discutir esse problema para que ele seja equacionado o mais breve possível. Estamos a disposição para ajudar Governador Alckmin, conte conosco.

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