
Ilustração: Imagem de duas melancias, uma inteira e a outra tem um quarto de fatia retirada
Gostaria de falar aqui um pouco sobre direitos, mas acima de tudo, gostaria de abordar a questão dos deveres, algo que muito pouco é falado quando mencionamos pessoas com deficiência, como se essas pessoas fossem algum tipo de cristal, intocáveis, como diria nosso impagável ex Ministro Rogério Magri, como se fossem imexíveis!!
Trata-se de comentar as eleições 2010, nas quais ainda estamos envolvidos, o 2º turno vem ai, e a questão da acessibilidade aos locais e às urnas eletrônicas. Infelizmente tivemos algumas notícias não muito boas a respeito da acessibilidade no momento da votação em alguns pontos, no entanto, precisamos verificar bem essas informações para que não sejamos injustos em nossas criticas.
As informações veiculadas pelo TRE neste ano foram para que as pessoas que tivessem mobilidade reduzida ou alguma deficiência permanente ou temporária, que procurassem o seu cartório regional e comunicassem esse fato, pleiteando a devida adaptação em seu local de votação.
O prazo dado para essa comunicação foi até o dia 5 de maio. Não obstante percebíamos, no início desse ano, em vários locais que serviriam de votação, grandes faixas convidando os eleitores daquela determinada zona eleitoral para que procurassem o seu cartório regional específico para atualizarem os seus dados pessoais, entre outras providencias.
Assim, temos a dizer que, pelo lado dos Tribunais Regionais Eleitorais dos Estados, devidamente orientados pelo Tribunal Superior eleitoral em Brasília, parece-nos que as inúmeras tentativas de contato, além das informações veiculadas nas diversas mídias, foram muitas e bem abrangentes para abarcar o maior número de eleitores possível. Assim, não podemos acreditar que algum eleitor que precisasse de um atendimento diferenciado no momento do voto não tenha sido contemplado com essas informações.
Respeitamos aqueles eleitores com deficiência que precisaram recorrer aos veículos de comunicação para denunciar alguma situação precária no momento de seu voto, alguma situação de constrangimento ou falta de acessibilidade em um momento tão delicado e importante para o exercício de nossa cidadania. No entanto, precisamos verificar se a esses eleitores não foram dadas todas as chances de pleitearem seu acesso facilitado com antecedência.
Caso isso tenha sido feito, pedimos desculpas, mas temos que informá-los que a inclusão é um caminho que tem mão dupla, ou seja, a pessoa com deficiência percorre uma parte do caminho e a sociedade percorre outra parte do mesmo caminho para que possam se encontrar no meio. Da mesma forma veemente que defendemos a inclusão, a acessibilidade e o desenho universal como um direito do cidadão, defendemos com a mesma veemência que também temos deveres a cumprir, não queremos privilégios, muito menos queremos solapar o direito de outrem quando pleiteamos os nossos e assim por diante.
De resto, aproveitamos para aconselhar aqueles que querem dar show, que querem aparecer, que vivem deliberadamente provocando situações para que possam estar sempre em evidência, na telinha da televisão ou na fotinho do jornal, para que comprem uma melancia bem grande e a pendurem no pescoço, pois essa é uma das maneiras mais tradicionais de ser notado e sair bem na foto.
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