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Máquinas fazem paraplégicos andarem

Publicado em: 12 de dezembro de 2010 às 13:36.

A notícia abaixo, extraída do jornal Folha de São Paulo de hoje, caderno Ciência, demonstra como a inteligência humana ao ser canalizada para a vida, a paz e a saúde, no lugar da guerra e da destruição, pode provocar transformações incríveis na vida do ser humano.

No entanto, podemos ter certeza que R$ 250.000,00 para um traje de um soldado não será considerado caro, mas para uma pessoa voltar a caminhar certamente dirão que se trata de um investimento impensável. Infelizmente são essas as prioridades da política no Mundo que vivemos, mas que nós mesmos permitimos.

Fiquem com a matéria…

Máquinas fazem paraplégicos andarem

Esqueleto externo de 20 kg permite ficar em pé e atingir até 3 km/h

Três empresas fazem exoesqueletos; uma delas, da Nova Zelândia, colocará seu produto no mercado por R$ 255 mil

FERNANDA EZABELLA
DE LOS ANGELES

Amanda Boxtel e Alysse Einbender têm pouca coisa comum. A primeira é uma professora de esqui australiana de 43 anos. A segunda, paisagista americana de 50 anos, é mãe de dois meninos.
Em comum, as duas dividem uma tragédia e um quase milagre. Ficaram paraplégicas durante anos, mas voltaram a andar recentemente, graças a aparelhos de duas empresas diferentes.

Amanda se beneficiou do eLegs, produzido na Califórnia e lançado em outubro, e Alysse usou o ReWalk, criado em Israel e presente numa clínica de reabilitação americana desde o ano passado. Ambos usam uma espécie de exoesqueleto ajustado ao corpo do cadeirante que, por meio de sensores, o faz andar com a ajuda de duas muletas.

“Consegui dobrar meus joelhos pela primeira vez após 18 anos”, disse Boxtel. “Consegui transferir meu peso, dar mais um passo. E foi tão natural.”

Não há data para a comercialização dos aparelhos, mas o ReWalk já é usado num hospital na Filadélfia, e o eLegs estará disponível para centros médicos em 2011.
Um terceiro foi apresentado em julho na Nova Zelândia, num evento que contou até com o primeiro-ministro. A empresa Rex Bionics promete colocá-lo a venda até o final do ano por R$ 255 mil.

Nos últimos dois anos e meio, oito pessoas com lesões na medula e uma com distrofia muscular já passaram por treinamento do Rex. Ao contrário dos dois primeiros aparelhos, o neozelandês é mais pesado, pouco maleável e possui um joystick no lugar de muletas.

“Acreditamos que o uso constante de muletas pode causar lesões nos ombros”, diz o diretor de marketing da empresa, Thomas Mitchell.
Assim como o eLegs e o ReWalk, o Rex não pretende substituir totalmente o uso da cadeira de rodas e sim ser uma ferramenta extra para os cadeirantes. “Os usuários dizem que notaram uma mudança no relacionamento com as pessoas, inclusive com crianças, já que elas não ficam mais altas do que eles”, diz Mitchell.

Dos três, o eLegs é o mais compacto e dá mais mobilidade ao usuário, que pode dobrar o joelho de forma mais natural e chegar a atingir até 3 km/h. Foi eleito, pela revista “Time”, uma das 50 melhores invenções de 2010.

O aparelho funciona com ajuda de sensores que traduzem os gestos do cadeirante para determinar suas intenções e agir de acordo com elas, como uma espécie de software, carregado numa mochila nas costas. Para usá-lo, é preciso ter entre 1,58 e 1,95 m de altura, pesar até 100 quilos e conseguir se transferir da cadeira de rodas para uma normal.

A tecnologia foi desenvolvida a partir de exoesqueletos hoje usados por soldados -um deles permite que os militares carreguem até 90 quilos por terrenos irregulares, por horas, sem lesões.

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