Você está no topo da página.

São Paulo, sexta-feira, 18 de maio de 2012 - 02:58.

Blog do Livro Acessível Universal - Página inicial [1].

Você está no conteúdo principal desta página.

REATECH 2012: Há 11 anos inacessível para cegos!!

Publicado em: 17 de abril de 2012 às 9:56.

O minúsculo e significativo artigo da folha de São Paulo do dia 14 de abril de 2012, que colo abaixo, do caderno cotidiano, retrata a gigantesca exclusão e humilhação cotidianas pelas quais passam as pessoas com deficiência visual em nossa cidade e por que não dizer em todo nosso País.

em pleno Estado de São Paulo, dentro da Cidade de São Paulo, Estado e Cidade que possuem orgãos públicos – Secretarias de Governo que se dizem especificamente voltadas aos “direitos” das pessoas com deficiência, em pleno Século XXI, em pleno ambiente teoricamente voltado ao público com deficiência, em pleno evento que tem como rótulo “feira de acessibilidade”, em meio a tudo isso, as pessoas com deficiência visual continuam sendo humilhadas de tal maneira.

Vejam a matéria da folha de São Paulo para subsidiar nossas colocações e depois continuamos…

“ São Paulo, sábado, 14 de abril de 2012
Foco: Voluntário de evento para deficiente não sabe guiar cego
FILIPE OLIVEIRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Na segunda maior feira do mundo dedicada a produtos e serviços para pessoas com deficiência, voluntários que guiam cegos estão despreparados para a função.
O repórter da Folha, que tem baixa visão, visitou ontem a Reatech -Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade, que está aberta até amanhã em São Paulo.
As duas voluntárias que o acompanharam, ambas alunas do primeiro ano do curso de terapia ocupacional, disseram ter recebido uma aula para aprender a guiar.
Uma delas, porém, não sabia o básico: a forma segura de conduzir o deficiente. Segurou o braço do repórter com as duas mãos, fazendo com que ele andasse em sua frente. O correto seria deixá-lo segurar em seu cotovelo e andar na frente dele.
Também não conheciam o espaço da feira. “Se precisasse de ajuda, ia querer andar com alguém que sabe onde vai”, disse outra voluntária.
No evento, faixas em alto relevo no chão orientavam os cegos, mas ficavam obstruídas pelos visitantes.
Segundo a diretora Malu Sevieri, a feira está evoluindo na questão de acessibilidade, mas ainda há o que melhorar. “Caso houvesse mais exigência na capacitação, seria mais difícil encontrar [voluntários] interessados”, diz.”

Continuando, isso é uma retunbante vergonha para os organizadores, vergonha para o Governo de São Paulo, Estadual e Municipal, vergonha para os expositores, vergonha para os políticos do nosso Estado que dizem lutar pelos Direitos das pessoas com deficiência, vergonha ampla, geral e irrestrita.

vergonha também e principalmente para o próprio segmento de pessoas com deficiência visual, afinal, um velho adágio popular diz que qualquer pessoa tem na vida somente aquilo que ela merece. pois é, se nós, pessoas com deficiência visual, não temos uma REATECH acessível é porque não merecemos uma REATECH acessível.

A sociedade como um todo acaba reconhecendo e incluindo, mesmo que na marra, aquele segmento que luta com unhas e dentes por sua inserção social, que se indigna com a exclusão, que não se conforma com a falta de garantia de seus direitos individuais e coletivos, por isso grita, clama, protesta, reivindica.

Do outro lado, nós, pessoas com deficiência visual, incapazes de nos indignarmos contra isso, incapazes de exercermos pressão junto as autoridades para que essa situação seja transformada, sem ao menos noção de que temos direito a inserção social plena, enfim, sem eira nem beira, ficamos aqui, um exército constituido por milhões de zés e marias ninguém! insalubres, inodoros, insípidos, imóveis e por fim… invisíveis.

E saibam todos que o Centro de Exposições Imigrantes, que recebe a REATECH ha 11 anos, onze anos!!! pertence ao governo do Estado de São Paulo, mais propriamente a Secretaria Estadual de Agricultura, portanto, um espaço público.

E qual seria uma solução para esse problema?

Na verdade o que defendemos é que não haveria necessidade de voluntários, bem ou mal treinados, para guiar os cegos se a feira fosse realmente acessível. O piso tátil que foi colocado ali, ha 3 anos, foi uma primeira tentativa de fazer com que essas pessoas pudessem andar pela feira com autonomia e independencia. Naquele momento parabenizamos os organizadores pela ação. Participamos de diversas reuniões com os organizadores da REATECH tentando conscientizá-los da importancia da feira oferecer aquilo que ela propagandeia, ou seja, acessibilidade.

Naquele primeiro momento o que foi possível fazer foi a colocação de placas táteis direcionais sobre a forração dos corredores. Vejam bem, sobre uma parte da feira, não a feira toda, o que seria o correto. E ainda ha de se destacar que esse custo foi absorvido totalmente pelos organizadores. O Governo Estadual lavou as mãos ignorando o fato. A Prefeitura idem.

Um segundo movimento seria a implantação de sinalizadores, audioguias, tecnologia eletrônica existente e que proporcionaria praticamente 100% de independencia e autonomia para que as pessoas cegas andassem sozinhas pela feira sabendo por onde estão passando. Para isso bastaria colocar uma mini antena em cada stand que emite um sinal para um aparelho receptor na mão da pessoa cega disparando uma mensagem gravada. Por meio de um fone de ouvido a pessoa fica sabendo exatamente por onde está passando, stand, lanchonete, banheiro, etc. E o aparelho é cedido na entrada da Feira e recolhido ao final dela.

Somente com aquele piso tátil que foi instalado as pessoas cegas conseguem rastrear com suas bengalas, porém, seguindo em uma linha interminável e sem saber nada do que se passa a sua volta, sem saber quais os stands que estão ao seu redor, ou seja, caminham por uma parte da feira sem saber o que há na feira.

Portanto, Enquanto os organizadores da REATECH, bem como os expositores e o governo de São Paulo, Estadual e Municipal, não tiverem vergonha na cara e decidirem ter uma REATECH que honre o título de feira de acessibilidade, as pessoas com deficiência visual de São Paulo e do Brasil que tiverem o desprazer de visitar esse evento, para o qual fica claro que nunca foram bem vindas, podem escolher entre duas humilhações, a imposta no dia-a-dia pelas ruas, sem transporte, sem calçadas, sem sinais sonoros, sem informações acessíveis de todo e qualquer tipo, ou então a humilhação imposta pela “feira de acessibilidade” que só possui acessibilidade, para pessoas com deficiência visual, no rótulo e na garganta daqueles que discursam por lá todos os anos sobre os palanques no dia da abertura.

Postado por: Administrador.
Arquivado na categoria: Ações do MOLLA, Dicas e Toques / Mitos e Lendas, Mídia comentada, Obscegatório Urbano.
Assuntos relacionados: , , , , , , , .
Visitado 699 vezes, 3 foram hoje.
0 comentário

CARTA ABERTA: Cegos de São Paulo são excluídos de políticas públicas

Publicado em: 5 de fevereiro de 2012 às 21:29.

Ilustração: Foto de uma carta e sobre ela uma pena dentro de um tinteiro

Ilustração: Foto de uma carta e sobre ela uma pena dentro de um tinteiro

Cansados de esperar por inclusão social e acessibilidade que nunca lhes são proporcionadas, um grupo de pessoas cegas, familiares e amigos da Cidade de São Paulo e do Interior do Estado, lançaram a carta aberta abaixo questionando diretamente as duas Secretarias de Governo – Estadual (SEDPCD) e Municipal (SMPED) – criadas para auxiliar os governos Estadual e Municipal no desenvolvimento de políticas públicas que atendam também as pessoas com deficiência. Questiona o grupo: Por que as pessoas com deficiência visual tem sido sistematicamente ignoradas quando da formulação das políticas públicas na cidade e no Estado? A segunda etapa do movimento será a criação de uma petição pública contendo suas reivindicações.

Carta Aberta

Ao Governo do Estado de São Paulo
Att. Exmo. Governador Geraldo Alckmin
À Prefeitura do Município de São Paulo
Att. Exmo. Prefeito Gilberto Kassab
À Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo
Att.: Ilma. Secretária Linamara Battistella
À Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida
Att.: Ilmo. Secretário Marcos Belizário
Ao Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa com Deficiência de São Paulo
Att. Exmo. Presidente Wanderley Marques de Assis
Ao Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência de São Paulo
Att. Exma. Presidente Sandra dos Santos Reis
À Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo
Att. Ilmos. Deputados Estaduais
À Câmara de Vereadores do Município de São Paulo
Att. Ilmos. Vereadores
À imprensa, aos veículos de comunicação em massa e à Sociedade em geral

“Pior cego é aquele que não quer enxergar” (dito popular)

Ilustríssimos senhores e senhoras autoridades públicas no Estado de São Paulo, somos um grupo composto por pessoas com deficiência visual não institucionalizado, familiares, amigos e simpatizantes do segmento (pessoas com e sem deficiência), residentes no Estado de São Paulo, que necessitam de providências e esperam que elas venham por parte dos gestores públicos de nosso Estado e Município, no sentido de proporcionar melhoria em nossa qualidade de vida em sociedade, consubstanciadas na inclusão definitiva nos diversos setores sociais, bem como a acessibilidade ampla, geral e irrestrita aos bens, produtos e serviços oferecidos a todos os cidadãos paulistas.

Quando pensamos em melhoria da qualidade de vida das pessoas com deficiência, constatamos que esses assuntos compõem as intenções das duas secretarias que foram implantadas no Estado de São Paulo, a SMPED – Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida em 2005 e a SEDPCD – Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência em 2008, ambas objetivando, por meio de atuação transversal, incluir as demandas do segmento de pessoas com deficiência em todas as ações promovidas por suas respectivas instancias de governo.

Não há dúvidas de que constatamos e parabenizamos a atuação das duas secretarias quando se trata da inclusão de pessoas com deficiências físico-motoras, aquelas que necessitam de transformações físicas e arquitetônicas nas cidades. No entanto, lamentamos observar que muito pouco ou quase nenhum avanço há no campo da deficiência visual, no sentido de não ser lembrada ou ser tratada de maneira reduzida, quando do planejamento das políticas governamentais voltadas especificamente ao segmento de pessoas com deficiência, muito menos quando da definição de políticas públicas para a sociedade como um todo.

Identificando melhor o exposto, citamos a seguir alguns exemplos que demonstram como as políticas de inclusão social e promoção da acessibilidade vêm sendo tratadas de maneira desigual por contemplar apenas uma parcela do segmento de pessoas com deficiência de nosso Estado e Município. Vale lembrar que, segundo os dois últimos censos do IBGE, a dificuldade de enxergar engloba quase metade do total de pessoas com deficiência no Brasil.

Rede Lucy Montoro: Excelente projeto da Secretaria Estadual, que oferece reabilitação de Primeiro Mundo às pessoas com deficiências físico-motoras. Por sua vez, as pessoas com deficiência visual continuam amargando nas filas intermináveis das instituições especiais quando necessitam de reabilitação, de orientação e mobilidade, entre outras capacitações.

Reforma da Avenida Paulista: Excelente projeto da Secretaria Municipal, que implantou trajeto com piso tátil para orientação de cegos, mas que até hoje não teve instalado sequer um semáforo sonoro para que o usuário possa andar pelo trajeto sem correr o risco de ser atropelado nos diversos cruzamentos. Também não ocorreu a instalação de ramais que possam conduzir essas pessoas às estações de ônibus, de metrô ou para pontos de maior interesse público.

Capacitação profissional: Com o objetivo de oferecer qualificação profissional para os cidadãos paulistas, anunciou a criação de mais de 130 tipos de cursos diferentes nas melhores escolas públicas e privadas no Estado, SENAC, SENAI, ETECs e FATECs. Porém, para as pessoas cegas foram ofertadas duas ou três opções segregadas em uma instituição especial para cegos, mostrando claramente que as escolas técnicas de altíssimo conceito do Governo Estadual ainda não admitem cegos em suas turmas.

Telecentros públicos: O Ministério Público Estadual, acolhendo denúncia impetrada por nosso grupo no início deste ano, está cobrando explicações sobre o flagrante descumprimento do Decreto 5.296/04 por parte do governo estadual em seu Programa Acessa São Paulo, Decreto este que determinou, há oito anos, percentual de computadores adaptados para cegos em todos os telecentros públicos, no mínimo um computador por telecentro. Denunciamos que esse Programa possui mais de 630 telecentros espalhados por todo o Estado e, destes, apenas dois possuem computadores adaptados para cegos. Quanto aos telecentros municipais, a questão também vem sendo averiguada pelo Ministério Público devido a mesma irregularidade.

Bibliotecas e centros culturais: Recente publicação da ONG Nossa São Paulo sobre as desigualdades na cidade apontou que, dos 96 distritos de São Paulo, 44 não contam com biblioteca pública e 59 não oferecem sequer um centro cultural. No entanto, para pessoas com deficiência visual, os números são ainda mais vergonhosos, pois das 117 bibliotecas municipais da cidade, apenas seis oferecem alguns parcos livros braile, se comparados aos livros convencionais, nenhum livro digital acessível, e dos poucos centros culturais, apenas um deles, o Vergueiro, oferece mínima acessibilidade para pessoas cegas.

Lei de Cotas: Depois de aprovada com regime de urgência na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, a Lei 14.481/11 foi sancionada em tempo recorde pelo governador Geraldo Alckmin. A referida Lei igualou pessoas com visão monocular às pessoas cegas para efeito de cotas em concursos públicos e consequentemente para contratação em regime de cotas por empresas privadas. Como pode uma pessoa totalmente cega concorrer em pé de igualdade com uma pessoa com visão monocular em um concurso público levando em conta a facilidade do monocular em acessar fontes de estudos em comparação a pessoa cega? Qual empresário vai contratar uma pessoa cega em São Paulo, arcando com os custos das adaptações, se ele poderá contratar um monocular sem custo algum? Lembrando que nos dois últimos levantamentos feitos pela RAIS, 2009 e 2010, a empregabilidade das pessoas cegas ficou abaixo de 5% dentre todas as pessoas com deficiência no mercado formal de trabalho.

Projetos de Lei ignorados: Por outro lado, continuamos aguardando a aprovação do PL 227/11 na Assembléia Legislativa do Estado, de autoria da deputada Célia Leão, que determina a disponibilização em formato digital acessível de toda publicação lançada por editoras no Estado de São Paulo. Continuamos aguardando a aprovação do PL 00014/11 na Câmara dos Vereadores, de autoria da ex-vereadora Mara Gabrili, que determina critérios de compras de livros em formatos acessíveis para as bibliotecas municipais. Caso aprovados e sancionados, esses Projetos de Lei beneficiarão milhares de pessoas cegas excluídas historicamente do mercado editorial. Contudo, não percebemos até o momento nenhum movimento por parte das duas Secretarias, no sentido de trabalharem a favor dessa aprovação junto ao Poder Legislativo ou Executivo.

Decreto estadual sem efeito: O Decreto 56.307/10, sancionado pelo Governador Alberto Goldman em outubro de 2010, instituiria em âmbito da administração pública estadual o “Programa de Acessibilidade Comunicacional”, obrigando que todo livro comprado ou editado pelo governo estadual desde aquela época tivesse disponibilizada sua respectiva cópia no formato digital acessível (DAISY), para o acesso de pessoas cegas. No entanto, por falta de ação da SEDPCD esse Decreto permanece parado como letra morta até os dias atuais.

Teatro Municipal: Foi entregue em 2011 ao público paulistano o novo Teatro Municipal que após uma reforma de 32 meses e com custo aproximado de 28 milhões de Reais reservou quatro lugares para cadeirantes dentre os 1500 disponíveis, um percentual de 0,0027%, que já é uma vergonha. Porém, caso uma pessoa cega desejar acompanhar algum espetáculo, não poderá contar com o recurso da audiodescrição, pois não foram instalados cabine nem equipamentos necessários para tal. Muito menos foram instalados piso e sinalização táteis em parte alguma do teatro.

Biblioteca do Estado de São Paulo: Inaugurada há três anos no Parque da Juventude oferece tecnologia assistiva e acessibilidade para pessoas com todas as deficiências, inclusive para cegos. Um projeto bastante interessante, mas precisa melhorar. Na inauguração eram 30.000 livros convencionais contra 300 livros no formato áudio doados por uma instituição para cegos. Caso o governo não estabeleça critério de compra de livros acessíveis no mesmo percentual de compra de livros convencionais, essa gigantesca defasagem entre a leitura das pessoas cegas e das pessoas sem deficiência jamais será igualada. Salientando que os livros em formato áudio permitem a aprendizagem apenas da língua falada e não da língua escrita, propiciando erros ortográficos grosseiros, assim, precisamos de livros no formato de texto digital acessível e não apenas no formato áudio.

Educação: Caso façamos um teste simples nessas escolas apontando e visitando aleatoriamente algumas delas, certamente iremos constatar itens de acessibilidade arquitetônica, alguma rampa, algum banheiro adaptado, algum laboratório com bancada rebaixada. No entanto, caso nossa busca seja por piso tátil, computadores com leitores de tela, bibliotecas ou salas de leitura com livros acessíveis, salas de apoio com tecnologia assistiva, semáforo sonoro para travessia em seu entorno, nossa busca será certamente um fracasso.

Transportes coletivos: Se observarmos o sistema de ônibus de nossa cidade, constataremos a presença ainda insuficiente de veículos adaptados com rampas elevatórias para cadeiras de rodas. No entanto, se uma pessoa cega quiser utilizar esse meio de transporte ficará esperando para sempre, pois não existe um veículo sequer adaptado com tecnologia assistiva, que já existe no mercado, que auxilie para a sua locomoção autônoma e independente.

Cães guia: Anuncia-se um projeto para criação de centro de treinamento para cães guia no Estado de São Paulo, que será certamente importante, no entanto, para beneficiar uma parcela pequena de pessoas cegas, pois a manutenção desses animais, como veterinário, medicamentos e alimentação, foge muito das condições financeiras da maioria das pessoas cegas brasileiras. Todavia, caso o projeto contemple também subsídios públicos para essas despesas, talvez o torne mais bem sucedido.

Contudo, para não sermos vistos como pessoas que apenas apontam os problemas sem pensar nas soluções, indicamos a seguir alguns bons exemplos, nacionais e internacionais, de políticas públicas que podem ser replicadas por se mostrarem objetivas, eficazes e ao que tudo indica soluções de baixo custo em relação ao benefício que proporcionam aos seus usuários.

Semáforos sonoros: Nas cidades de Madrid, Espanha, também em Nova Iorque, Rochester e Boston, Estados Unidos, presenciamos a existência de dispositivos agregados aos semáforos que emitem um som delicado de pássaros quando a travessia está liberada para pessoas cegas. Além de não incomodar as outras pessoas, o dispositivo mostra seu caráter universal ao auxiliar também as pessoas idosas que já não possuem uma acuidade visual suficiente para discernir as mudanças nas cores dos avisos luminosos.

Biblioteca acessível: Em Modena, na Itália, bibliotecas públicas oferecem postos de acessibilidade para cegos constituídos de computador com leitor de telas e “scanner” agregado que permite aos usuários a leitura de todos os livros constantes no acervo, transformando a biblioteca em um espaço que inclui todos de acordo com os princípios do desenho universal. Tudo fruto de uma inteligente parceria entre governo local e Rotary Internacional.

Ônibus acessível: Na cidade de Jaú, Interior de São Paulo, toda a frota de ônibus foi adaptada com tecnologia assistiva, dispositivo sonoro, que possibilita a utilização com autonomia e segurança por parte de pessoas cegas. Naquela cidade, portanto, as pessoas cegas são livres e independentes para exercerem seu direito de ir e vir a qualquer lugar utilizando-se do sistema de transporte coletivo sem o auxílio de terceiros.

Metrô acessível: O sistema metroviário de São Paulo oferece boas condições de acessibilidade às pessoas com deficiência visual, mas pode melhorar e muito, algo com o qual nosso grupo vem tentando colaborar. Podemos citá-lo como um bom projeto, mas que nasceu muito antes da existência das Secretarias voltadas ao nosso segmento.

Teatro acessível: No bairro do Morumbi em São Paulo o teatro da empresa Vivo celular oferece o recurso da audiodescrição e a tradução em LIBRAS em todos os espetáculos apresentados, mostrando como é fácil e simples transformar um equipamento cultural tão importante quanto o teatro em um serviço em desenho universal.

Enfim, acreditamos que os exemplos mencionados até aqui já sejam suficientes para demonstrarmos que a deficiência visual está longe de ser conhecida, compreendida e atendida pelo poder público, mesmo após oito anos de existência da Secretaria Municipal e quatro anos da Secretaria Estadual. As causas desse desconhecimento e de nossa invisibilidade aos olhos dos gestores públicos não sabemos, mas podemos sentir, cotidianamente, os efeitos desastrosos dessa falta de políticas públicas em toda sua plenitude: no transporte, no trabalho, na educação, na saúde, na reabilitação, na qualificação profissional, no lazer, no entretenimento e no acesso aos equipamentos culturais.

Por fim, gostaríamos de solicitar resposta por parte das Secretarias Estadual e Municipal mencionando projetos voltados às pessoas com deficiência visual, realizados até hoje e o planejamento para os próximos anos com metas e objetivos para os próximos anos. Inclusive será uma excelente oportunidade para que possamos discutir com os gestores públicos se essas políticas públicas já atenderam ou se elas espelham as reais demandas e expectativas de nosso segmento.

Agradecemos a atenção das autoridades e demais destinatários desta e ficamos no aguardo da repercussão de seu conteúdo.

Atenciosamente,

Grupo virtual cidade para todos.

Postado por: Administrador.
Arquivado na categoria: Ações do MOLLA, Dicas e Toques / Mitos e Lendas, Ensino Sinal Verde, Ensino Sinal Vermelho, Leitura Sinal Verde, Leitura Sinal Vermelho, Mídia comentada, Obscegatório Urbano.
Assuntos relacionados: , , , , , , , , .
Visitado 4649 vezes, 2 foram hoje.
0 comentário

Os mais lidos:

  1. DENÚNCIA!! Nova Lei de Direitos Autorais ignora direitos das pessoas com deficiência (10651 vezes)
  2. Melancia no pescoço!! (10190 vezes)
  3. Direitos humanos e pessoas com deficiência: Chorando nossos cadáveres! (8374 vezes)
  4. MEC: Censo Escolar 2010 aponta dados estarrecedores para alunos com deficiência (6822 vezes)
  5. Revista Isto É: O livreiro da favela - Leitura libertadora (6551 vezes)
  6. Blog do livro acessível! Lançamento hoje, dia 21 de setembro (6515 vezes)
  7. Bradesco amplia acessibilidade e inclusão!! Morra de inveja Itaú!! (6487 vezes)
  8. Porcos ou gafanhotos, o que somos? Jardim sensorial nãããooo!!! (6466 vezes)
  9. Eleições 2010 urgente!! Falha na urna acessível para o voto em legenda! Veja dica de solução (6414 vezes)
  10. Cotas para alunos com deficiência nas ETECs e FATECs já!! (6252 vezes)

Voltar ao topo da página.

Copyright © 2008 Livro Acessível.
Todos os direitos reservados.