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Bengala de cego não é pisca de automóvel

Publicado em: 11 de setembro de 2010 às 17:57.

Quando uma pessoa com deficiência visual anda pelas ruas da cidade ela pode se utilizar de algumas ferramentas de apoio para isso, na verdade essas ferramentas são o que chamamos de ajudas técnicas.

Entre elas está inclusive o cão-guia, que no momento de seu trabalho está concentrado, seguindo um treinamento sério e criterioso, na conduta de alguém que não enxerga pelos obstáculos urbanos espalhados ao longo do caminho.

A pessoa pode também estar acompanhada por um guia humano, um amigo, um parente, alguém que ofereceu ajuda, geralmente segurando no antebraço do guia e levemente mais atrás no passo de seu acompanhante, facilitando assim que se oriente pelo caminhar da pessoa para ir reconhecendo o terreno.

No entanto, tradicionalmente uma pessoa cega é reconhecida nas ruas utilizando-se da velha e conhecida bengala branca. Com movimentos em leque, vai aos poucos rastreando e reconhecendo o terreno, os buracos, os desníveis e seguindo seu caminho no seu ritmo.

Eu mesmo me utilizo de uma delas, que na verdade não precisa hoje em dia ser necessariamente branca, claro que a cor tem sua finalidade, principalmente à noite, ela pode ser vista melhor pelos motoristas, por exemplo, quando a pessoa cega está atravessando uma rua, mas a personalidade e a singularidade de cada um fazem com que essa ferramenta apresente sempre um diferencial.

Pode ser na cor, no estilo, combinando com a roupa da pessoa, com os acessórios e assim por diante. Principalmente entre jovens é comum que se diferencie de alguma maneira uma bengala da outra, Tudo bem, ta valendo.

Agora gostaria de informar uma coisa importante que já aconteceu comigo e que pode causar algum tipo de acidente sério.

Certa vez andando por ai acabei trombando com uma jovem que ficou toda envergonhada e me pedia desculpas repetitiva e nervosamente. Tentando acalmá-la e ao mesmo tempo desentortar a minha bengala, perguntei-lhe se não tinha sido possível identificar-me a tempo para desviar.

Eis qual não foi a minha surpresa quando ela me disse que se orientou pelo movimento da bengala, ou seja, ela viu que eu a apontei para a esquerda e saiu para a direita. Ao mesmo tempo lançou essa: “Mas isso não é como um pisca de carro que ele indica a direção que vai virar?!”.

Fiquei surpreso porque até aquele momento não tinha a menor idéia que a impressão que passamos, para alguns ao menos, quando fazemos o movimento de rastreio em leque com a bengala, é que estamos querendo virar para a direita e depois para a esquerda, depois para a direita novamente e para a esquerda em seguida e isso não pára mais!!! Nossa, fiquei até tonto!!!

Portanto, pessoal, calma, nosso movimento de varre varre vassourinha, de lá para cá com as nossas bengalas não quer dizer que estamos querendo saída pela esquerda ou pela direita, como dizia o velho leão da montanha, mas sim, que estamos querendo apenas seguir em frente com segurança ok?

Dica:

Ao notar uma pessoa cega se aproximando com sua bengala não se apavore, não fique saltitando na frente dela ou tentando se desviar. Fique parado, calmo, mesmo que a bengala bata em seu pé não vai machucar, elas são feitas de material super leve e até mesmo frágil. Voce pode dar um toque para a pessoa, tipo oi, e ai, enfim, para avisá-la que voce está na frente e assim por diante. Assim tudo acaba bem e ninguém sai machucado de alguma trombada ou rasteira.

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