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Atenção Prefeitos! Transporte acessível: Um direito dos cidadãos, um dever dos governantes

Publicado em: 30 de setembro de 2010 às 17:13.

Ilustração: Foto de uma pessoa em cadeira de rodas adentrando um coletivo

Pessoal, compartilho um artigo de minha autoria e que foi publicado no Jornal do Interior, uma publicação da UVESP – União de Vereadores do Estado de São Paulo e que circula em quatro Estados do Brasil. Nele eu abordo a questão dos transportes públicos com ou sem acessibilidade, chamando a atenção dos gestores municipais para essa problemática.

Fiquem com a matéria e comentem a vontade…

Município para todos
Por Naziberto Lopes

Dicas e toques sobre como transformar seu município em um local mais amistoso e acessível para todos os seus cidadãos, promovendo a mobilidade, a acessibilidade
e o respeito a diversidade humana.

Senhores Prefeitos e Vereadores, saudações. Vamos falar de acessibilidade nos meios de transporte?

Quando se discutem meios de transportes para pessoas com deficiência a primeira coisa que certamente vem a nossa mente é a imagem de uma pessoa em uma cadeira de rodas parada esperando interminavelmente a chegada de um transporte que seja adaptado, com piso rebaixado para entrada independente ou com dispositivo para a elevação da cadeira até o interior do veículo.

Poucos se lembram que o transporte precisa ser acessível à pessoas com outras deficiências que assim como uma pessoa em cadeira de rodas também precisam se deslocar pelas cidades em busca de trabalho, estudo, lazer, etc. Um bom exemplo seria uma pessoa cega. Como será que alguém com uma deficiência tão significativa consegue se deslocar com autonomia e rapidez utilizando-se dos meios de transporte público?

Em grandes metrópoles, como São Paulo ou Rio de Janeiro, por exemplo, o sistema metroviário auxilia bastante, uma vez que essa modalidade de transporte de massas apresenta uma característica mais amistosa para com os usuários: Plataformas de embarque em nível, sistema de informação audível, funcionários para auxiliar os passageiros, entre outros diferenciais.

No metrô da cidade de São Paulo especificamente podemos verificar a existência de um programa chamado “Jovem cidadão” que oferece oportunidade a estudantes de nível médio para um estágio que visa auxiliar pessoas com deficiência visual e idosos no deslocamento
seguro dentro das estações. Para os usuários em cadeiras de rodas, são os funcionários efetivos que prestam essa assessoria.

Todavia, saindo desses espaços mais amigáveis às pessoas com deficiência e ao público em geral, nos encontramos nas ruas e avenidas das cidades na dependência dos transportes motorizados, ônibus, vans, entre outros, os quais são mais inóspitos, seja para que uma pessoa em cadeira de rodas ou com mobilidade reduzida possa adentrá-los, seja para que uma pessoa
cega, com baixa visão ou com pouca acuidade visual possa reconhecer as informações sobre o seu destino ou itinerário.

Voltando ao início, tínhamos aquela pessoa em sua cadeira de rodas esperando por horas um transporte sem que pudesse servir-se de um deles por falta de acessibilidade física, mas também agora podemos incluir uma pessoa cega no mesmo ponto sem a menor condição
de saber qual o destino do ônibus que acabou de passar por ali caso não tenha ajuda de alguém que enxerga.

Como podemos resolver essa situação? Certamente que as tecnologias assistivas podem e devem auxiliar os governantes na inclusão de todos os cidadãos, no usufruto dos bens e serviços públicos. Por isso a busca de novas tecnologias e o emprego das mesmas para essa
finalidade é super importante e deve ser constante.

Nesse sentido, vejamos um projeto que está sendo adotado na cidade de Jaú, a 450 km da Capital de São Paulo, algo inédito até o momento e que se demonstra bastante interessante para servir de modelo a outros governantes que tenham a intenção de fazer com que seus meios de transporte sejam mais amistosos e inclusivos para toda população.

Trata-se de um dispositivo composto por um transmissor portátil – que fica com o usuário – e um receptor que fica instalado no coletivo. A comunicação entre os dois é feita por meio de sinal de rádio.

Este dispositivo vem permitindo que pessoas cegas, com baixa visão ou idosas, possam se deslocar com autonomia usando o serviço de ônibus. O processo é simples: O usuário no ponto informa em seu transmissor, de navegação por meio de voz sintetizada, o número da linha que deseja, a partir de então um sinal passa a ser irradiado em um perímetro de 100 metros de distancia.

Quando o coletivo que detém o dispositivo receptor entra naquele perímetro, uma mensagem sonora passa a ser irradiada em um mini alto falante instalado na frente do coletivo pelo lado de fora. A mensagem é na verdade a informação, em voz alta e repetitiva, do número da linha, o mesmo que o usuário informou em seu transmissor. Dessa maneira, seguindo o som do alto
falante, o usuário localiza o carro e adentra o coletivo fazendo com que a mensagem sonora seja encerrada automaticamente.

Se pensarmos para além, podemos facilmente expandir o escopo do atendimento desse tipo de serviço incluindo as pessoas analfabetas, os idosos, os turistas, o que amplia significativamente a abrangência do sistema, tornando o ônibus
um serviço que pode ser chamado daí por diante de serviço com desenho universal.

Segundo informações da Secretaria da Pessoa com Deficiência e Idosos da cidade de Jaú, o sistema já foi testado e aprovado por munícipes com deficiência visual e idosos e agora está sendo implantado de maneira definitiva em toda frota da cidade, composta por mais de 60 carros. As 50 primeiras pessoas cadastradas em uma lista de espera receberão gratuitamente o transmissor.

Segundo o senso do IBGE realizado no ano de 2000, no Brasil cerca de 14,5% da população possui algum tipo de deficiência – motora, sensorial, intelectual ou múltipla – o que em números absolutos e atualizados estima-se por volta de 29 milhões de pessoas, sendo que dessas aproximadamente 48% são afetadas diretamente por alguma deficiência visual.

Portanto, caros Prefeitos e Vereadores, se em seu município a população está girando por volta de 10 mil habitantes, estatisticamente 1500 deles possuem alguma das deficiências acima. Se lembrarmos que nenhuma pessoa nasce sozinha, e que deve ter pelo menos mãe e pai, tios, avós, entre outros, o número pode atingir facilmente metade de seus munícipes envolvidos direta ou indiretamente com a deficiência.

Assim, pensamos que seria muito importante preocupar-se em fazer alguma coisa pela melhoria da qualidade de vida dessa população? Certamente eles saberão retribuir essa demonstração de respeito.

Nota de atualização em 2015:

Preciso atualizar algumas informações desse post. Começo pelo número de pessoas com deficiência que segundo o IBGE em 2000 era de 14,5% no Brasil e em 2010 subiu para 23,4%, ou cerca de 45 milhões de pessoas. É gente que não acaba mais! Assim, a cobrança desse post ficou ainda mais séria e necessária. Mesmo assim, vejam voces, até o momento não temos nada vezes nada de acessibilidade nos ônibus de São Paulo para pessoas com deficiência visual, uma merréca para pessoas cadeirantes e só.

Com relação ao projeto em Jaú, ele foi implantado com sucesso e funciona que é uma beleza!

Hoje, graças a ajuda dos smartphones, aplicativos, como o Citta Mobi e o Bus alert, também facilitam a identificação de um coletivo por parte de uma pessoa cega que tenha um telefone celular acessível em mãos. Bastando para isso que o coletivo também esteja equipado com algum tipo de transmissor dessa informação.

Algumas cidades no Brasil, mais preocupadas com essa questão, já adotaram essa tecnologia, Recife é um exemplo. Sinceramente falando, custaria preço de banana para que isso fosse efetivado, mas a prefeitura de São Paulo, associada a SMPED, Secretaria da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida do nosso município, fazem cara de paisagem e vão deixando esse assunto para lá, como se ele não existisse.

Vamos ver até quando isso vai perdurar. Até lá, as pessoas com deficiência visual, para poderem andar de ônibus, vão continuar tendo que contar com a solidariedade de estranhos nos pontos e terminais em uma das maiores e mais importantes cidades do mundo. Uma vergonha!

Visite jornal da UVESP:
HTTP://www.uvesp.com.br/jornal.php
Visite Secretaria da pessoa com deficiência e idosos de Jaú: http://www.jau.sp.gov.br/secretarias.php?SEC_ID=47

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