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As cariocas imaginodescritas!! A noiva do Catete parte 1/3

Publicado em: 30 de outubro de 2010 às 18:56.

Ilustração: foto de Aline Moraes e Angelo Antonio, protagonistas da novela

Pessoal, estreou na Rede Globo, na última terça-feira dia 19 de outubro, uma mini série intitulada “As cariocas”. Na verdade serão várias novelinhas semanais contando as facetas de personagens femininas cariocas, suas aventuras e desventuras, baseadas nas crônicas de Sérgio Porto. Ainda bem que o patrocinador oficial da mini série é a cerveja Devassa, porque para uma pessoa cega encarar programas de televisão sem audiodescrição só bebendo muito mesmo!!

Agora vejam só caros amigos, o que eu não faço por vocês, por meu público fiel, vou encarar essas novelinhas para poder imaginodescrevê-las para vocês. Assim, passei no mercadinho da dona Joana, comprei meia dúzia de latinhas de Devassa e fui pro sofá. Aviso que tomei umas três latinhas antes para ficar com a imaginação mais solta, então se segurem na cadeira porque a noção e a audiodescrição sumiram!!

O episódio da noite chamou-se “A noiva do Catete”. Quando começou, já entrou a trilha sonora e não falaram nada sobre os atores, então não sei quem são eles, pelo jeito vou ter que tentar reconhecer algum pela voz. Lá vai o ceguinho e a sua obrigação de ter que ter memória de elefante!! Até quando meu MiNC?! Bom, segundo o Ministério das Comunicações (MINC), me parece que até daqui uns 10 anos. Depois disso teremos uma meia hora por semana de audiodescrição na televisão brasileira. Que maravilha né?! Isso é culpa do seu Hélio, mas bem feito, sequei tanto ele que não conseguiu se eleger em Minas Gerais! Chupa essa manga seu Hélio!! E preste atenção, praga de cego, quando não mata, deselege!!

Deixando de papo furado, vamos lá, vamos tentar imaginar as lacunas das cariocas!! Eita mulherada boa do meu Brasil!!

Parte 1:

Click aqui para conferir o vídeo imaginado

Cena: A novela começa com um narrador contando a história do bairro do Catete. Essa voz eu conheço! Era o Daniel Filho, ah, gosto dele, gente competente e com boas idéias. Olha seu Daniel, por favor, aproveita e coloca audiodescrição nas cariocas!! Vamos ver se ele nos escuta. Em seguida entra a trilha sonora que introduz a trama.

Cena: Som de água escorrendo, parecendo lavar alguma coisa; som de farfalhar de roupas; entra o narrador dizendo que a menina da trama se chama Nadia, que mora sozinha no Catete e tal, que é tão bonita que leva cantada até de porteiro eletrônico.

Meu comentário: Puts, uma gata dessas e eu aqui cego, que chato!!

Cena: Som de campainha; som de passos; som de molho de chaves, de porta abrindo; homem de voz jovem fala rapidamente com uma mulher também de voz jovem e sensual.

Cena: Eles conversam e a mulher chama o cara de Nelsinho; ela fala da tia ausente e doente e ele pergunta do namorado; som de gato miando; ela diz que não tem namorado e começa o som de beijos; som de gente se pegando, o famoso rala e rola; beijos, beijos e mais beijos; ele fala alguma coisa e ela manda ele ficar quieto e diz que eles tem muito mais coisa pra fazer do que ficarem falando. Entra o narrador explicando o enlace e o som do rala e rola segue por trás.

Meu comentário: Mas pêra lá, é a voz da Luciana! Ah, lembram da cadeirante da novela viver a vida? Sim é a voz dela. Que legal dona Globo, a senhora de novo abordando a temática da deficiência?! Parabéns, uma mini série inclusiva, só que sem audiodescrição, um ponto positivo e um negativo, mais um menos um igual a zero!

Cena: O cara exclama: Nossa! Ela ri e os dois recomeçam o rala e rola. Ela reclama de algo salgado demais; ele pergunta se ela gosta de água do mar; ela pede pra ele ir tomar banho; som de chuveiro; ele pergunta pra ela se não quer trocar a toalha pela calcinha dela; ela pergunta se ele acha que vale a pena; recomeça o rala e rola; entra o narrador e o bicho continua pegando ao fundo.

Cena: Os dois conversam cansados sobre ele ter que ir embora; ele vai e ouve-se o som de porta fechando; som de passos na rua; som de cidade, carros, gente falando; o narrador comenta sobre a Luciana ter poderes sobrenaturais, de fazer tremer até os alicerces da República, fala de seu noivo chamado Carlinhos, com quem ela quer se casar.

Cena: Conversa entre um homem, provavelmente o noivo Carlinhos, e a Luciana; falam de casamento; ele diz que está imprestável; ela diz que o amor deles é maior do que tudo; ele pergunta se ela não tem realmente pena dele; entra o narrador e explica a questão da pena e o fato dele estar paraplégico por ter defendido a honra dela; som de correria, alguém pedindo uma bolsa com violência; corre corre, gritos, um tiro; som de sino de igreja.intervalo.

Imaginodescrivinhando:

Bom, fico feliz pelo fato da Luciana estar bem, acho que se reabilitou mesmo, afinal está até andando! Deduzo isso pelo som dos passos, era som de sapato de mulher, sapato de salto. Viva as células tronco! Que bom ter pai rico, o Marcos deve ter custeado a operação dela e ela voltou à andar, bacana! Agora ela mora sozinha, ué, ela não tava casada com o médico gêmeo? Sei lá, acho que depois que ela sarou, ele brochou e separou. Puts, agora entendi a fissura dele pela Luciana, ele deve ser um daqueles tarados por gente com deficiência. O pior é que eu nunca consegui encontrar uma tarada por ceguinhos!! Snif snif.

Seguindo a imaginação, o negócio da Luciana, que agora se chama Nádia, com o tal namoradinho pegou fogo, o som dos beijos ardentes não deixa dúvidas. Agora é sacanagem a Luciana sarar da paraplegia e ficar zoando a gente cega, dizendo para não falarem, para ficarem quietos. Ô dona Luciana! Por favor, se você sarou tudo bem, mas a gente aqui continua cego ta? Colabora ai, cenas mudas não!!!

Agora fiquei curioso para saber o motivo daquela exclamação do Nelsinho, o tal Nossa! Caramba, a coisa aqui vai ficar feia, por isso recomendo que se você leitor é menor de idade, tem problemas de coração, toma remédios para pressão, é solitário, carente, depressivo, tem namorada feia, sei lá o que mais, seria melhor não continuar lendo porque a imaginação vai ficar tórrida!!
Imagino que a Luciana estaria de sobretudo, tava frio no dia, e por baixo ela não usava nada a não Ser o conjunto de lingerie bicolor, sim, bicolor, uma peça de cada cor, soutien branco e calcinha preta. Ééééca! Eu odeio lingerie bicolor! Mas tenho que fazer isso caros leitores, porque não posso imaginar alguma coisa que me deixe aturdido, incomodado, com suores frios entendem? Caso contrário eu não consigo terminar esse troço! No entanto, o Nelsinho adora esse tipo de vestimenta intima feminina, ele adora essa coisa de uma cor em cima e outra cor embaixo, Fazer o que? Cada um com suas manias!

Depois que ela abriu o sobretudo repentinamente, fazendo uma carinha de safa e exibindo um lindo sorriso com dentes brancos, , ele ficou absolutamente paralisado com aquela visão dantesca, quer dizer, maravilhosa para ele, tanto que desabou no chão, pois o som foi semelhante a alguém caindo. Vendo isso a Luciana pulou sobre ele e começou a comer um pedaço de bacalhau que ela tinha trazido da geladeira, sobra da janta do dia anterior, mas tudo bem, ela gosta assim mesmo, só reclamou do gosto salgado demais. Enquanto ela comia ele ficava olhando para aquela lingerie ridícula, digo maravilhosa para ele, como que hipnotizado. Sem se aperceber da sujeira que a Luciana fez ao deixar cair restos do bacalhau sobre o peito e o rosto dele que ficaram lambuzados de migalhas de bacalhau e bába da Luciana. Argh! Que menina nojenta!!!

Agora ficou claro que aquele som de água no início da trama era a Luciana na pia da cozinha lavando o bacalhau, depois o som de farfalhar de roupa era ela tirando o avental e pendurando sobre o botijão de gás. Elementar meu caro Watson, imaginar não é fácil, temos que ter pensamento rápido e profundos conhecimentos dos mais diversos assuntos. Viram que eu manjo até de culinária!!

Após aquela lambança toda, os dois estavam uma sujeira só, afinal, pelo barulho de beijos vocês percebem que, mesmo ela comendo bacalhau e ele atônito pela visão da lingerie bicolor, os dois não pararam de beijar o tempo todo. Por isso ela vai tomar banho e em seguida manda ele tomar. Quando ele volta, propõe que ela troque a toalha que está com ele pela calcinha que está com ela. Caramba, realmente ele gostou da peça, deve ser um daqueles colecionadores de calcinhas, tipo o Wando! Só que ela também gosta da pequenina e não quer dar, então os dois se atracam, tipo de brincadeira, com ele tentando tomar a calcinha das mãos dela. Nisso o narrador entra e ouvimos os dois se pegando ao fundo.

Ao final, os dois estão cansados, respirando ofegantes, quando ele reclama de ter que ir embora. Despedem-se e ele sai, a porta se fecha. Entra o narrador e a imagem ao fundo imagino ser da Luciana caminhando pelas ruas feliz da vida por estar com a barriguinha cheia depois do almoço e do seu prato predileto, bacalhau com Nelsinho. Ela vai para a casa do noivo, o Carlinhos, segundo o narrador, e os dois aparecem conversando sobre casamento. Quando ele fala de ser imprestável e sobre o sentimento de pena dela para com ele não dá pra entender, imaginei na hora que ele fosse brocha ou eunuco, mas o narrador esclarece a dúvida, ele está em uma cadeira de rodas!! Nisso passa a cena do acontecido, quando ele tenta defender a noiva de um assalto, onde tentaram subtrair sua bolsa e com o enfrentamento acaba levando um tiro que o deixa na cadeira de rodas.

Bom, agora vocês podem perceber claramente que é realmente a Luciana, a ex cadeirante da novela anterior, viu só como eu não me enganei na imaginação? Certamente foi depois que freqüentou o CVI Rio, da minha colega Lilia Martins, que ela ficou com essa consciência mais inclusiva, menos preconceituosa, aprendeu a valorizar a igualdade na diversidade, tanto que deve estar levando o Carlinhos no CVI Rio hoje em dia também. Muito legal dona Luciana, parabéns.

Obs.: A Forma nada cuidadosa com a ortografia e gramática construída nesse texto foi absolutamente intencional.

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