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As cariocas imaginodescritas!! A desinibida do Grajaú parte 2/3

Publicado em: 5 de dezembro de 2010 às 19:05.

Ilustração: Foto de Grazi Massafera e Marcelo D2, protagonistas da novela

Cena: Michele e sua mãe conversam; a mãe fala sobre alguém famoso que Michele conhece e que ela é muito mais bonita que a pessoa; Michele pergunta pra mãe se o Bob ligou; a mãe diz que não; Michele deixa recado no telefone de Bob dizendo que já ligou mais de 100 vezes e que não vai ligar mais; Michele deixa outro recado para Bob dizendo que desta vez é verdade; mãe de Michele fala ao fundo sobre celebridades e diz que Michele é a mais bonita do mundo; Michele começa a chorar; mãe consola a filha dizendo que homens são assim mesmo; Michele diz que o Bob não liga pra ela; a mãe diz que ela ainda será muito rica e famosa; Michele retruca sua mãe dizendo que não dá pra ser famosa e rica morando no Grajaú; a mãe diz que uma moça bonita como ela não passa despercebida em lugar algum; a mãe propõe uma aposta; Michele pergunta o que ela deveria apostar, a merreca no banco ou o carro; a mãe diz que o carro jamais, porque , ele é a prova da beleza da filha; a mãe pergunta se Michele vai sair; Michele responde ainda chorando que vai lavar a prova de sua beleza pra ver se ele fica mais bonitinho mesmo; som do pagodeiro Wesclei concluindo a letra de sua música; toca a melodia da música tema do episódio; o narrador diz que Michele troca de roupa e causa frisson em ismaelzinho; diz que ele ficou procurando buracos na camada de ozônio dela; som de passos, de alguém mexendo em coisas; o narrador diz que Michele escolheu um shortinho amarelo; som de portão abrindo; som de controle remoto sendo acionado; som de aparelho elétrico funcionando.

Cena imaginodescrita: Quando Michele chega em sua casa, depois do mercado, a sua mãe mostra pra ela algumas revistas de moda e aponta algumas meninas que posam ali dizendo que a filha é mais bonita do que qualquer uma delas. Bom, pra começar a revista deveria ser a cães e companhia, só assim talvez a Michele fosse mais bonita do que alguma modelo exposta ali. Ela liga pro cão chupando manga do Bob que não retorna e então desabrocha em choro compulsivo. Se ela já era meio feinha com a cara normal, imagina agora chorando! Puts. Parece a princesa fiona depois de virar ogra! Sua mãe consola a filha dizendo que ela vai conseguir tudo o que quer.

Michele pega as chaves do gol bege e diz que vai lavar o veículo. Troca de roupa, coloca um shorts amarelo e vai pegando os utensílios na garagem para fazer o serviço. Mangueira de jardim, aspirador de pó, flanelas e panos, sabão, detergente, pretinho para os pneus, silicone para os bancos, um pergumezinho pra jogar depois de terminar e assim por diante.

O pessoal do lado de fora já começa a estremecer, o pagodeiro do Wesclei se aproxima com seu cavaquinho, as vizinhas barangas começam a chamar umas as outras pra ver a cena da vagabunda, segundo elas. Mesmo Michele sendo uma coisinha mal engendrada, como o restante do bairro é uma tristeza só, ela acaba se destacando com aquele shortinho amarelo, principalmente quando se abaixa pra aspirar o carro por dentro.

Cena: O narrador diz que quando um vizinho viu Michele de aspirador de pó na mão e com aquele shortinho, quase enfartou; homem diz com voz sufocada que ela estava aspirando alguma coisa; mulher chama por alguém com preocupação; som de porta abrindo, de passos rápidos; o narrador diz que o que estava acontecendo era Michele, diz que para os ingleses “live is short”, mas para o Grajaú, a vida era um shortinho; ao fundo som do aspirador; Wesclei chama Michele, diz pra ela que há tempos ele quer ser compositor e que procurava uma musa, uma inspiração; Michele pede para ele ajudar em alguma coisa; som de água; o narrador diz que antes dos dois conversarem melhor chega dona esperança e acaba com a festa; dona esperança diz: “vagabunda!”; Michele aturdida diz “o que?”; dona Esperança continua: “Vagabunda sim, você está vendo outra vagabunda por aqui?”; Michele responde: “Ah não sei, você está tapando tudo, sua gorda”; Wesclei tenta argumentar com dona Esperança perguntando o que ela queria; dona Esperança diz que quer que a vagabunda coloque uma roupa; Michele diz que está de roupa; esperança diz que não está vendo nada; Wesclei diz que é porque ela está acostumada com mais pano; homem diz que ninguém chama a mulher dele de gorda; Michele diz que ninguém bate no seu sapinho; som de plaft, pow, crás, Tum; esperança diz que ninguém molha seu mosquitinho; som de poft, catabum, toim, pof; o narrador diz que a cobra fuma a partir daí; som de briga; quebra quebra. Bate bate, tapas, catiripapos; crás, cabrum, paft, poft, Tum, soc, poim; volta aquela primeira cena do começo da novelinha; Michele diz “ninguém toca no meu carro”; Esperança diz: “desce daí se você for mulher”; começa o quebra quebra de novo; cabrum, cabram, pam, Tum, zum, zoing, teim, pum; Michele grita desesperada por seu carro; Wesclei tenta apaziguar as coisas cantando a música que compôs; o narrador diz que por mais que as coisas estejam feias, elas podem piorar; no meio do tumulto alguém chama por Jesus, diz que está tudo escrito na bíblia; intervalo.
Cena imaginodescrita: Michele continua no propósito de limpar seu gol bege, mas a galera em volta está totalmente descontrolada e não pretende permitir aquela falta de respeito no bairro. O pagodeiro Wesclei se aproxima e diz a ela que está compondo uma música inspirado nela, que ela é uma princesa, uma deusa, uma inspiração divina. Caraça, esse pagodeiro está mal das pernas mesmo, pra querer uma inspiração como a mocréia da Michele, só se for pra compor pagode pra velório! Mas enfim, gosto é gosto e não se discute.

O problema começa quando uma das barangas vizinhas resolve tirar satisfação com a nossa heroína, chamando a moça de vagabunda e desclassificada. A tal dona Esperança exige que Michele se vista mais decentemente. Como a moça não está disposta a ceder pra galera, a coisa fica quente e pra partirmos pras vias de fato é um nadica de nada. Não dá outra, vem uma mão na cara da Michele que devolve um rabo de arraia na dona esperança. Acho que Michele treinou capoeira, sei lá. O sururu se torna ecologicamente correto, porque dona esperança protege os mosquitos enquanto Michele protege os sapinhos, cada uma delas mandando vassourada e rodada pra cima da outra.

E já viu como é briga de mulher Né?, Puxa cabelo pra cá, arranha a cara pra lá. O pagodeiro tenta intervir, tenta apaziguar, mas não consegue, leva uma bolsada de dona Esperança e cai de lado. Michele bate com o cabo do aspirador na cabeça do marido de dona Esperança, vingando o nocaute do sapinho. A galera em volta só incentiva o pampeiro, só õ botando fogo no pessoal.

De repente chega uma frigideira, não se sabe de onde, e vai pra cabeça de alguém, o som é característico de frigideirada, quem sabe uma caçarola, deve ter também uma colher de pau, enfim, a coisa ficou feia. Alguém ataca o carro de Michele, esta fica enlouquecida e parte pra cima do infeliz de mangueira na mão e balde na outra. No meio da confusão Wesclei acorda de seu nocaute e começa a cantarolar. O pastor começa a chamar por Jesus, Jesus, pedindo que um milagre salve aquela baixaria!

Continua na parte 3/3 final.

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