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As cariocas imaginodescritas!! A desinibida do Grajaú parte 1/3

Publicado em: 5 de dezembro de 2010 às 19:09.

Ilustração: Foto de Grazi Massafera e marcelo D2, protagonistas da novela

Caros amigos, mais um episódio da inacessível série: Dedique uma audiodescrição a quem você ama. Hoje com a saga de Michele, a desinibida do Grajaú. O 7º episódio da mini série “As cariocas” que está indo ao ar todas as terças-feiras na Rede Globo de Televisão, por volta das 23h00.

Para aqueles que ainda não conhecem essa novelinha, nosso objetivo é denunciar a falta de acessibilidade na televisão brasileira, para pessoas com alguma deficiência sensorial, motora ou cognitiva, que mesmo após a publicação da lei 10.098/00 chamada de Lei da Acessibilidade, que foi regulamentada pelo Decreto 5.296/04, conhecido como Decreto da Acessibilidade, continuam sem o seu direito garantido.

Essa Lei e esse Decreto previam que, por exemplo, na televisão, os programas deveriam apresentar janela de LIBRAS e close captium para pessoas surdas, dublagem e descrição de imagens e contextos para pessoas cegas, entre outros recursos. Sem falar no cinema e no teatro, que são absolutamente inacessíveis para esse público também.

Pois bem, o tempo passou, os clamores ecoaram, as pessoas se manifestaram, chegou a Convenção da ONU pelos Direitos das Pessoas com Deficiência, que virou parte de nossa Constituição, enfim, tudo isso rolou desde então e o governo brasileiro simplesmente está “fazendo aquilo e andando para as pessoas com deficiência e para as leis e Decretos vigentes”.

O ministério das comunicações, entra Ministro, sai Ministro, continua cego e surdo para essa problemática. A Casa Civil da República, entra Ministra, sai Ministra, entra escândalo, sai escândalo, continua tetraplégica para essa questão.

E a nossa justiça? E o Supremo? E os Tribunais Superiores? Ah, acho que eles têm coisas mais importantes para fazer do que ficarem tratando desses desrespeitos escandalosos aos Direitos Humanos dessa gente que nasceu ou ficou cega, surda ou com alguma outra deficiência e fica ai buzinando e tirando a paciência de todo mundo, como se eles fossem os culpados pelas mazelas desse povo. Sai pra lá gentalha!! Deixem os governantes, legisladores e magistrados brasileiros em paz!!

Agora voltando ao que nos interessa de fato e que são as gostosas das cariocas, vamos ver o que vai aprontar hoje a tal Michele, a desinibida do Grajaú!!

A novela começa e o narrador descreve as belezas do bairro do Grajaú, diz que é um bairro tranqüilo, povoado por viúvas e militares aposentados. Diz que o bairro é cheio de árvores e cheio de flores e que era tranqüilo pelo menos até a chegada da nossa heroína.

Cena: Som de confusão; mulher com voz histérica grita: “ninguém toca no meu carro”; outra mulher retruca: “desce daí se você for mulher”; o narrador entra comentando a cena e dizendo que a personagem em questão é Michele, que ela é loira e está rodando a baiana, comenta também sobre o motivo do sururu e sugere uma regressão no tempo para entendermos melhor o motivo da encrenca; enquanto isso, por trás da voz do narrador, o pau está comendo na casa de noca; a fita é rebobinada e voltamos em 1990; o narrador diz que a criança que fala por trás é Michele aos 8 anos de idade em seu quarto; diz que ela levava jeito pra paquita ou chacrete; diz que ela tinha um probleminha com a balança; voz de mulher chamando Michele pra comer; voz de Michele criança dizendo que não está com fome; voz de Michele adolescente ensaiando um discurso; som de aplausos; Michele diz chorando que aquele é o dia mais feliz de sua vida; o narrador diz que Michele foi eleita garota carioca e que ganhou um carro zero e a inveja de uma porção de mocréias; o narrador diz que ela passou a fazer sucesso em revistas masculinas; diz que começou a freqüentar a alta roda e a namorar um playboy chamado Bob Amorim.

Cena imaginodescrita: Caraça, essa novelinha vai ser porreta, ela já começa com o pau quebrando e a cobra fumando. Quem for chegado em um barraco vai adorar pelo jeito. Simbora! Com a primeira cena não deu pra imaginar muito bem o que estava rolando, mas pela gritaria parecia ser um tipo de briga de vizinhos por causa de um carro, dedução óbvia Né?!

O narrador dá uma ajuda e a gente fica sabendo que a barraqueira da vez é a heroína Michele, que ela é loira e está brandindo um rodo no ar. Assim então deduzo que ela está na rua, rodeada de vizinhos brigando com alguém em particular. Se ela segura um rodo como arma, quem sabe a oponente ou o oponente esteja segurando uma vassoura ou uma pazinha de lixo, quem sabe. O cenário deve ser na frente da casa de Michele, na calçada, deve ser dia e com muito sol.

Se está quente e se é Rio de Janeiro, obviamente a gostosa da Michele deve estar com roupas mínimas, tanguinha de praia ou um maiô pequenino, deixando à mostra toda aquela escultura natural. Aaaaaaahhhhhhhhh!!! Esqueçam meus amigos, nada disso, se for assim eu não vou conseguir terminar essa porcaria. Já estou passando mal aqui. Então a coisa é diferente, a Michele deve ser uma baranga daquelas, com mais furinhos no bumbum do que pudim de leite, feiosa, cabelo espalhafatoso, pé grande, com joanete e unha encravada, e por ai vai. Bom, mas isso não casa com o fato dela ter sido eleita Garota Carioca.

Ta bom, vamos dar um jeito nisso. Ela foi eleita assim mesmo porque os jurados eram todos cegos. Pronto! Chamaram o pessoal do Instituto Benjamin Constant, um deles o meu amigo Denito, e não deixaram eles passar as mãos nas modelos, tiveram que julgar literalmente no escuro e sem audiodescrição!! Por isso deu no que deu. Só ganharam as barangas!!

Claro que nem todo cego é ruim de percepção mulheral assim, eu, por exemplo, tenho um faro fino pra mulherada, se me virem abraçado com mulher feia qualquer dia podem apartar porque é briga. Mas o pessoal do Benja sei lá, principalmente o Denito, ele não tem gosto pra mulher!!

O negócio da Michele, pelo jeito, sempre foi brincar de modelo e manequim, pois quando a cena volta ao passado, notamos ela desfilando no quarto, com seus modelitos infantis, vestidinha de branca de neve, cinderela, gata borralheira, ensaiando seu discurso para quando vencer o concurso de beleza. Nota-se que ela já era feinha desde pequena, parecia uma porpetinha e a fachada também não ajudava muito. Mas o narrador diz que ela namorou um milionário playboy, sinceramente deve ser outro do tipo cão chupando manga. Ainda bem que ele pelo menos tem dinheiro! O narrador também fala que ela posou pra revistas masculinas, pelo jeito a homarada está sem gosto mesmo. E já sei, se ela foi miss, deve ter sido miss zéria!

Cena: som de papel sendo folheado; vozes masculinas em expressão de desejo; homem diz: “parece ela”; outro homem responde: “mas é ela”; o narrador diz que os minutos de fama de Michele duraram pouco, que o dinheiro minguou e ela foi obrigada voltar pra casa de sua mãe; ao fundo som de rua, carros, movimento no trânsito; mulher fala sobre a camisa puída de alguém e que ela tem que consertar; a mulher reclama do interlocutor não estar prestando atenção nela, diz que ela fica fula da vida quando isso acontece; mulher diz que quer a pessoa de volta 8 horas sem falta; homem repete 8 horas e concorda; mulher diz: “meu periquitinho”; voz de pastor orando; pastor diz “muito bem meu filho, vai ser um excelente pastor ismaelzinho”; mulher diz “igualzinho ao pai”; pastor diz que eles precisam estudar a bíblia; som de porta fechando; homem diz: “deus, me faça ser jogador de futebol, igual ao Ronaldinho gaúcho”; som de alguém tocando cavaquinho e ensaiando letra de música; homem pergunta para outros sobre algumas rimas em sua letra; outros homens respondem com críticas, cobrando que ele volte ao trabalho; Michele grita por sua mãe; mãe de Michele responde; som de cavaquinho e canto masculino; o narrador diz que Michele chegou atiçando os pagodeiros de plantão e a vizinhança; mãe de Michele diz que ela está linda; mãe de Michele diz: “que bom que você voltou”; o narrador diz que o ar está estranho; mulher diz para outra que a sirigaita voltou; diz para que a amiga segure o marido que ela vai segurar o dela; o narrador diz que quando ismaelzinho viu Michele tirando as coisas do carro, ficou extasiado; mulher diz: Lurdes, a vagabunda voltou, vai lá ver”; som de passos; mulher diz: “aposto que aquele louro não é natural”; mãe de Michele diz que o pessoal do bairro ficou com inveja quando viu a revista em que a filha posa ao lado do namorado rico; som de embrulhos sendo manipulados; Michele pergunta se não tem nada pra comer na casa; mãe responde que não teve tempo de ir às compras; Michele diz que vai fazer mercado, pergunta pra mãe se ela gosta de queijo; som de carro na rua; o narrador diz que a primeira vez que Michele foi ao mercado, a rua encheu como campo de futebol; som de passos, pessoas caminhando; homem diz: “deixa eu ajudar”; Michele responde: “não precisa”; homem diz que ela é uma princesa que veio dos contos de fadas a procura de seu príncipe; homem se apresenta como príncipe Wesclei; Michele retruca “ta mais pra sapo”; Wesclei resmunga que ele não é sapo, que é um trabalhador, diz que ele ainda é sapo porque não ganhou um beijo da princesa; Michele gargalha dizendo “ahhh sapinho”; intervalo.

Cena imaginodescrita: Surgem outros personagens da trama, a tal mulher reclamando da camisa surrada do marido, o marido submisso concordando que deve voltar as 8 para casa, um pastor, sua esposa beata e um tal de ismaelzinho que o pai diz que vai ser pastor, mas que pede a deus para ser jogador de futebol. Como a novela direciona para a volta à casa da mãe por parte de Michele, depois de ter ido à bancarrota, imaginamos que sejam todos vizinhos de rua da mãe de Michele. O marido da roupa surrada deve ser tão magro e pequeno que a esposa o chama de periquitinho, nossa, que casal! O bicho deve ser parecido com o mascote do palmeiras!!

Notamos alguém tocando cavaquinho, é o pagodeiro do pedaço, no Rio sempre tem um pagodeiro de plantão dando sopa e uma canja. Junto com seus amigos eles folheiam uma revista masculina, reconhecem Michele e ficam babando ovo pra garota. Que mau gosto!! Ela não devia ter posado pra revista masculina, mas sim para a National Geographic! É o diabo da Tasmânia!!

O frisson causado nas mocréias do bairro foi forte, surgem as outras barangas, pelo jeito o Grajaú está lotado delas, para chamarem a Michele de sirigaita, então a coisa está feia por lá mesmo. Daí então a barangada começa a fofocar sobre a nova baranga do pedaço, a Michele, uma chama a outra, a conversa rola solta. O pagodeiro, ao ver Michele, afina o instrumento, arma o circo e melhora os acordes. O Ismaelzinho, pelo jeito um adolescente, filho do pastor, fica olhando aquela ovelha desgarrada e pedindo a deus que ela venha para o seu rebanho!

Quando Michele chega à casa de sua mãe a vizinhança fica toda ouriçada, ela está vestida com sua roupa de miss zéria, meio desbeiçada já, afinal, a decadência já é evidente, ela entra na casa da mãe, fecha o carro, deve ser um gol 77 bege, procura na geladeira alguma coisa pra comer e não acha nada. Diz para a mãe que vai ao mercado e sai novamente. A casa da mãe é simples, na cozinha uma geladeira antiga vermelha, um pingüim sobre ela, uma folhinha do Sagrado Coração de Jesus na parede,, um guarda-comida Bartira no cantinho, comprado na Casas Bahia, azulejo até o meio da parede com uma faixa de outra cor finalizando. Puxa, gostei, adoro esse tipo de decoração!!

Quando a “poderosa” da Michele vai fazer compras, o pessoal fica todo urubuservando, principalmente o pagodeiro, que se oferece pra ajudar a moçoila e ao mesmo tempo já vai dando seu chaveco básico. Ele a trata por princesa e ela o chama de sapinho. Agora será que o carinha era muito feio mesmo? Bom, se a baranga da Michele o achou feioso como um sapo, imaginem a peça! Deve ser a cara do mestre Yoda! Ela dá um fora no sapinho e ele fica com cara de quem comeu e não gostou! A moça sai rindo e vai embora.

Continua na parte 2/3

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