São Paulo, quarta-feira, 28 de junho de 2017 - 14:18.

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ATA DE REUNIÃO.

CONSCEG - Conselho de Alunos Cegos e Amigos na Universidade.

Data: 11 de Setembro de 2004.

Participantes:
Fernanda Arruda Santos;
Jucilene Braga Evangelista;
Priscila Branca Neves;
Lucas Divino de Souza;
Rita de Cássia.

Resumo quinzenal e principais queixas:

Priscila Neves:

Comenta que durante o mês de Agosto, ficamos sem nenhuma notícia sobre os trabalhos, vários emails sem resposta, repetindo uma situação que já é corriqueira. Aponta que agora parece que as coisas começaram a se modificar, pois teve a notícia que o Naziberto foi contratado como estagiário pela São Marcos, para trabalhar na adaptação e preparação de material, juntamente com outro aluno estagiário "vidente", em um núcleo específico que está sendo criado na biblioteca.

Diz que, de positivo, recebeu três textos e três cronogramas em braile e mais dois cronogramas em disquete. Dois dos textos ainda não precisa, porém um outro já era matéria atrasada. Diz que o texto que mais precisava ainda não os recebeu e, como sempre costuma fazer, pediu para que sua mãe ou amiga Fernanda lessem os textos para que pudesse acompanhar as aulas.

Menciona que na reunião com o prof. Valdir, na última Quarta-feira dia 08/09, ficou sabendo que o mesmo havia levado uma série de materiais para a Fundação Dorina Nowil, para transcrição em braile e o orçamento da Fundação foi de aproximadamente R$ 17.000,00 por mais ou menos 500 folhas de texto.

Lucas expressa seu protesto com relação a esse absurdo por parte dessa Fundação. Justamente ela que se diz ser uma instituição voltada para a inclusão das pessoas com deficiência visual.

Jucilene coloca que tem, em casa, uma impressora braile que esteve quebrada por muito tempo, mas agora foi consertada. Diz que já pediu para que a profa. Denise do Tatuapé a indicasse ao prof. Valdir, para que ela mesma fizesse a transcrição do material para a Universidade, ao menos para a Rita, que está no mesmo semestre dela e que, teoricamente, utiliza os mesmos textos.

Lucas constata que isso é uma informação importante, pedindo para que o prof. Valdir leia com atenção esse ponto, ao mesmo tempo em que chama a atenção da Universidade para o custo do material, que é suficiente para comprar uma impressora braile por semestre.

Priscila comenta ainda entender que o custo de uma impressora braile, extremamente necessária para os trabalhos ganharem qualidade e rapidez, infelizmente é alto, contudo aponta os outros investimentos da Universidade, constatados nesse semestre, com a construção do espaço "Universo do Conhecimento", além da remodelação da frente do prédio com a colocação de mesas e cadeiras coloniais sobre o jardim.

Lucas explica que os investimentos da Universidade devem ser distribuídos por todos os setores e necessidades dentro da instituição, mas também as questões de acessibilidade aos deficientes devem ser lembradas e receber investimentos.

Jucilene acredita que esse reconhecimento das necessidades dos alunos deficientes visuais, criando um espaço específico, adaptado, com equipamentos adequados, pode certamente dar um destaque muito importante para o papel da Universidade dentro das políticas de inclusão. Pensa que é, ao mesmo tempo, uma chance de incluir os alunos e fazer uma excelente autopropaganda.

Priscila continua, comentando as questões da lei de acessibilidade que está começando a ser respeitada, ou seja, com a criação do núcleo na biblioteca com computador e escaner, porém a impressora braile ainda não foi adquirida.(Lucas aponta os progressos, reconhece que era um tanto cético no início do CONSCEG, mas ainda existem muitos acertos a serem feitos. Cita as conversas com o prof. Valdir, uma específica do dia 29 de Junho, na qual esse disse que estava em contato com o prof. Jaime vice-coordenador de Direito, e que os materiais já haviam sido trocados e seriam preparados. Hoje ele ainda não tem os materiais e se diz um tanto confuso, apontando a falta de comunicação existente, como o principal problema a ser equacionado.

Alerta os Srs. Mario, Jaime e Valdir, para que trabalhem juntos para uma melhor inclusão dele como aluno em seu curso específico.

Priscila continua reafirmando que está levando o curso, até hoje, graças a sua mãe, como sempre fez. Indica ainda que no tempo da coordenadora Ana Maria Navajos, já haviam sido feitos contatos com a Fundação Dorina, mas já naquela época, os materiais demoraram quase um ano para serem produzidos e ainda vieram pela metade, além dos custos altíssimos e inviáveis, por isso, ela não entende porque foi feito uma nova solicitação a mesma fundação. Informa que passou o telefone do CADEVI, outra instituição voltada para inclusão dos dvs que também tem impressora braile, mas até agora não tem nenhuma posição sobre seus materiais.

Reconhece também que estamos avançando, se compararmos ao início do ano que não tínhamos nada, agora, reforça ela, em Agosto, devido à contratação do Naziberto e dos primeiros equipamentos que surgiram na biblioteca, está ficando animada, não vê a hora da chegada da tão sonhada impressora braile, para que as coisas fiquem melhor ainda.

Lucas alerta novamente os dirigentes da Universidade sobre os altíssimos custos de preparação de material em braile, salientando que a melhor atitude a seguir é mesmo a compra da impressora ou então, deixar a Fundação Dorina milionária.

Jucilene Evangelista:

Comenta que não tem nada de material, nem do semestre passado nem desse semestre, até agora não recebeu nem ao menos os cronogramas em braile, apenas algumas professoras os enviaram via e-mail, devido à solicitação pessoal dela.

Lucas comenta que recebeu os cronogramas em braile, que é muito louvável essa atitude, desde que seja feito para todos os alunos, porém, os cronogramas, sem o material específico que os mesmos apontam para uso diário nas aulas, é o mesmo que ter um cardápio para ver tudo o que não vai ser possível comer.

Rita comenta que sobre essa questão dos cronogramas, uma de suas professoras está cobrando os materiais específicos constantes nele, e está dando pontos negativos para quem não os trouxer. Como ela não sabe sequer o que é para trazer, está ficando carregada com os tais pontos negativos.

Lucas orienta que ela comente isso com a professora.

Rita se diz cansada de ter que pedir tanto, explicar tanto e o sentimento de impotência está muito grande.

Fernanda pergunta como é o relacionamento dos dvs. Com o restante da sala.

Jucilene comenta que não tem problemas de relacionamento, porém não espera nada dos amigos, afinal, estuda a noite e sabe dos inúmeros compromissos que todos devem ter. Sente-se excluída nos momentos de leitura, quando todos organizam grupos e ela fica de fora, por não ter os textos e não conseguir trocar informações com eles. Diz que numa aula específica, foi a gota d’água, quando todos começaram a ler um determinado texto, em voz baixa, e ela pediu várias vezes para que alguém se predispusesse a ler o texto em voz alta para ela. Como não houve iniciativa, ela pediu permissão à a professora e foi embora da aula.

Rita aponta que o seu relacionamento com a sala não vai muito bem, dizendo que muitos de seus colegas de turma comentam que o problema dela é com a Universidade, e é a instituição que tem o dever de solucionar os problemas de acessibilidade com relação aos dvs. Ela diz que argumenta que estão ela e o grupo CONSCEG, lutando para isso, mas ainda precisa de muita ajuda de todos, o que a deixa muito desanimada e deprimida.

Está pensando em falar com a sala na próxima Segunda-feira, pedindo mais colaboração de todos, mas ainda não sabe o que fazer.

Priscila diz que no início teve alguns problemas de relacionamento, mas a partir do momento que fez amizade com a Fernanda, todos os seus problemas foram amenizados graças à intervenção dessa grande amiga que, fazendo uma parceria duradoura com ela, até hoje tem suas necessidades relativamente supridas pela amiga.

Lucas diz que o apoio de sua sala tem sido muito importante para que ele consiga levar o curso adiante.

Jucilene comenta que sugeriu que os seus materiais fossem digitalizados e entregues à ela mesma para que, agora com sua impressora consertada, pudesse imprimir esse material. Cita que relatou à profa. Denise e presenciou a mesma numa conversa por telefone com o prof. Valdir, cobrando os materiais. Ficou sabendo que os materiais haviam sido enviados para a Fundação Dorina. Sugeriu que ela mesma imprimisse em braile não apenas para ela, mas para a Rita também. A profa. Denise enviou um email no mesmo instante para o prof. Valdir e até agora a Jucilene não tem posição nenhuma sobre isso, inclusive reclama que nem ao menos conhece pessoalmente o prof. Valdir.

Diz também que está tomando providencias por conta própria, pedindo a amigos de um grupo que ela frequenta, como o grupo Terra, por exemplo, que a ajudem. Comenta que umas pessoas estão digitando para ela, alguns materiais do semestre passado, ainda não terminado. (Fernanda pontua que os outros de fora é que acabam fazendo o trabalho que seria de responsabilidade da Universidade. Trouxe um novo exemplar da revista UNIMARCO, dizendo aos colegas que existe uma reportagem sobre o conhecimento e a cidadania.

Fez questão de ler o rodapé dessa revista que diz o seguinte:

Missão:

"A Universidade São Marcos manifesta sua vocação humanística, e seus princípios éticos por meio do ensino e da pesquisa de qualidade e da socialização de saberes e da disseminação de cultura, contribuindo para o desenvolvimento da sociedade de maneira a se tornar responsável pela inclusão e profissionalização do indivíduo, do entorno social, a fim de que ele possa ter condições de desenvolver uma consciência crítica de cidadania".

Em seguida pergunta a todos o que os mesmos pensam sobre o que foi lido. (Lucas diz que nessa reunião, por exemplo, encontram-se quatro pessoas com panoramas e vivencias diferentes. Contudo, antes desse ano, mais especificamente antes de Junho, todos tinham muito pouco apoio institucional, para não dizer nenhum apoio. Entretanto, a partir de Junho o panorama começou a se modificar, graças às ações do CONSCEG. O que é importante, segundo ele, é que as coisas não parem de avançar.

Aponta ainda que até então, tinham apenas uma bolsa de estudos, coisa que afirma ser muito boa, agradece muito por ela, mas precisam de algo mais que é o acesso ao conhecimento para todos, como aquele mencionado na revista que foi lida.

Priscila também indica que recebeu uma bolsa de estudos que é extremamente importante e motivo de agradecimento, porém acredita que se a sala de recursos especiais estiver devidamente aparelhada, inclusive com a impressora braile, os resultados serão animadores e relevantes.

Jucilene continua indicando que as perspectivas são animadoras, mas precisam ser melhoradas e, acima de tudo, continuadas. Comenta que não podemos utilizar a deficiência visual como argumento para fugir das responsabilidades, e que devemos estar prontos a colaborar para essa transformação dentro da Universidade.

Encerrando sua fala, ela cobra o material que lhe é devido.

Rita de Cássia:

Também aponta que não tem material algum para acompanhar o curso. Menciona que iria falar com o prof. Valdir que ela não está vendo vantagem alguma em deslocar-se de sua casa, de madrugada, e chegar na Universidade para não conseguir acompanhar o ritmo das aulas e não ter acesso ao conteúdo do curso. Por isso está pensando em trancar matrícula e voltar somente quando tiver um panorama melhor, se puder.

Está pensando em falar com sua sala para obter mais apoio dos colegas.

Diz que ainda não fez três provas do semestre passado e nesse semestre também não tem nenhuma leitura adaptada.

Lucas questiona a Rita sobre os apontamentos de caderno, se eles não são suficientes para ajudar nas provas atrasadas. Sugere também a realização de prova em dupla com alguém que enxergue.

Rita responde dizendo que uma dessas provas era com consulta ao código de ética, coisa que ela não possuía. Outra coisa que diz é que fica constrangida por ter que fazer um tipo de prova diferente do restante da sala. Se todos fazem provas individuais, ela também quer fazer.

Priscila comenta da necessidade do dv, anotar, literalmente, todo conteúdo de aula, toda exposição da aula, uma vez que os materiais de apoio são inexistentes.

Rita explica que nem todos têm a mesma capacidade de anotar tudo, o mesmo tipo de entendimento e assim por diante. Por isso não consegue acompanhar as aulas sem os conteúdos dos textos e dos livros.

Jucilene diz que praticamente os professores seguem um texto por aula e que isso exige a leitura prévia dos textos, para que se possa acompanhar com qualidade aquela aula.

Rita diz que quando estava no Tatuapé, a coordenadora Denise ainda estava sempre cobrando os materiais atrasados, porém agora que está no Ipiranga, ela não sabe mais nenhuma posição sobre os encaminhamentos que estão sendo dados.

Lucas Divino:

Comenta que as provas ainda não chegaram, continua esperando a chegada de livros completos para seu curso, pois até agora, ficou sempre dependendo de alguns capítulos fracionados, que a campanha de doação conseguiu preparar.

Está contente com o novo computador que foi instalado no escritório modelo de Direito. Isso está ajudando muito porque o computador antigo travava constantemente e ele perdia muito tempo com isso.

Ressalta que a contratação do Naziberto para o trabalho no núcleo é uma excelente iniciativa da Universidade, e que ele tem esperança de boas perspectivas para um futuro melhor em seu curso. Cita a presença de um escaner instalado no computador do campus Sagrada Família, o que vai ajudar bastante. Ele comenta um exemplo, de fazer uma prova com a consulta a um determinado código, e sabendo manipular esse equipamento, ele mesmo pode preparar a sua leitura para prova.

Reforça mais uma vez a questão da comunicação entre os vários envolvidos nesse processo que são o coordenador e o vice-coordenador de Direito, o prof. Valdir, entre outros. Alerta que as provas estão se aproximando e espera que tudo corra bem nesse momento.

Parabeniza a iniciativa da Universidade em contratar o Naziberto para, inclusive ensina-lo a manipular o escaner, que ele ainda não sabe, diz, então que acha isso um grande avanço.

Comenta que tem um trabalho para apresentar daqui a duas semanas e, por ainda não contar com uma estrutura definida, pediu para que uma pessoa da Fundação Padre Chico gravasse uma fita cassete para ele, do capítulo que precisará para esse trabalho. Acredita que isso está terminando, ou seja, a dependência de terceiros que não fazem parte da Universidade.

Por fim, deixa a seguinte solicitação: "precisamos de livros, precisamos de livros".

Jucilene comenta que segundo duas de suas professoras, foi lhe dito que o material para ela, já havia sido enviado para o prof. Valdir desde o começo das férias. Por isso ela não entende porque eles não foram preparados até agora. Diz que algumas transparências foram enviadas por e-mail por alguns professores, mas foi ela mesma quem teve de avisá-los e solicitar essa providencia.

Fernanda Arruda:

Encerra a reunião com a seguinte frase de Ghandi: "nós devemos ser a mudança que queremos ver", ao afirmar que todo o grupo é responsável pelas primeiras mudanças que estão acontecendo e que não devem parar. Para isso todos devem unir forças e continuar cobrando a instituição, porém, todos também devem estar cientes de suas responsabilidades e oportunidades de também ajudar esse importante trabalho não apenas para esse grupo, mas para todos os que vierem depois.

Relação das atas:

 

Tudo sobre o CONSCEG - Conselho de Alunos Cegos e Amigos na Universidade.

 

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