São Paulo, sábado, 22 de julho de 2017 - 17:33.

Livro Acessível Universal - Página inicial [1].

ATA DE REUNIÃO.

CONSCEG - Conselho de Alunos Cegos e Amigos na Universidade.

Data: 06 de Novembro de 2004.

Participantes:
Juscilene Braga Evangelista.
Fernanda Arruda Santos.
Naziberto Lopes de Oliveira.
Lucas Divino de Souza.
Elizabeth Marinho de Oliveira.
Priscila Branca Neves.

Convidados:

Roger Martins Marques,
Camila de Lucca.

Resumo quinzenal e principais queixas:

Jucilene evangelista:

Registra o avanço obtido desde a última reunião. Diz que no computador do Campus Tatuapé está disponível o material para o seu acesso livre.

Informa que fez para a Faculdade, a impressão de vários textos, somando aproximadamente 4.000 laudas em Braile e que, desse jeito, ficou muito mais fácil para estudar.

Com relação aos professores, tem observado mudanças no comportamento dos mesmos. Cita nominalmente as professora Célia, Vera Pascal, Regina e Luciana Chauí, como exemplos, que estão mais atentas em explicar o que estão colocando na lousa. Salienta que está se sentindo mais integrada com a classe e nos trabalhos de grupo.

Ficou muito contente de ter conseguido realizar o trabalho de laboratório com os ratinhos. Tendo sido a segunda aluna com deficiência visual a realizar este teste, Evidenciando com isso, essa possibilidade.

As provas todas foram recebidas em braile para execução junto com os demais alunos. Entretanto, ela não recebeu as notas junto com todos, foi informada de que a dela seria entregue na próxima semana. Há notas então, que ela ainda não tem.

Sobre dois vídeos legendados exibidos em sala de aula, comenta que a própria professora narrou um dos textos e outro foi narrado por uma colega. Sente que os professores do seu semestre estão demonstrando extrema boa vontade em adaptar as aulas para seu melhor entendimento.

Informa que está tendo aula de inglês, com uma professora chamada Lívia, através de um Programa de Inclusão e Cidadania desenvolvido pela PUC.

Esta professora estaria inclusive disponível para, através do CONSCEG, promover aulas sobre inclusão e acessibilidade para os professores da São Marcos, uma vez que sua tese de doutorado está sendo desenvolvida sobre esse tema. Juscilene já informou isto para a Beatriz do depto. Financeiro da São Marcos.

Acha importante que quando a Faculdade adquirir a impressora Braile, um deficiente visual a manipule, para conferência de formatação e textos.

Sugeriu para a professora Ivani, que ela mesma lesse a prova para ela de forma que a professora a corrigisse no mesmo dia. Porém, a Ivani disse que queria ver se o novo sistema, sugerido pelo prof. Valdir funcionaria, entretanto, mais uma vez, verificou-se que não.

Roger Martins:

Salienta que no curso acima citado pela Jucilene, a professora Lívia ensina que soletrar algumas palavras, principalmente em outros idiomas, facilita o entendimento para os alunos com deficiência visual. Registra também a importância de integrar e dar acessibilidade aos alunos portadores de diversos tipos de deficiências.

Diz que a princípio, tudo é possível. É preciso perguntar para as próprias pessoas, o que elas podem fazer e quais suas verdadeiras limitações.

O problema é a desinformação generalizada da maioria das pessoas, inclusive professores, em relação a como tratar as pessoas com deficiência física, mental ou sensorial. Fica evidente a necessidade de fazer cursos ou cartilhas informativas para distribuir em situações onde as pessoas fiquem embaraçadas.

Sugere que as provas sejam entregues e recebidas para a Adriana para transcrição no Braile, através de protocolo, para registrar a responsabilidade em relação à perda de prazos.

Priscila Neves:

Sobre o problema ocorrido com ela por não ter recebido sua nota do Prof. Rogério, na quarta-feira ela diz que ele a procurou e informou que deixaram sua prova em local errado e por este motivo ele não entregou sua nota junto com a dos demais alunos.

Diz que sempre o professor fez desenhos e esquemas na lousa e ele nunca havia se preocupado em explicá-los para ela. Nesta aula, após ter recebido uma carta de cobrança e alerta do CONSCEG, ele passou a descrever detalhadamente cada um dos esquemas que colocou na aula. Ela fez suas anotações normalmente em braile, e ele parava de falar a cada vez em que ela registrava suas anotações.

Fernanda observou que tanto ela quanto as outras alunas também conseguiram acompanhar melhor a aula, porque o professor normalmente é muito rápido quando fala, e eles não conseguem acompanhar.

Apesar de ter sido colocada no centro das atenções da aula, a Priscila achou a aula muito boa por parte do professor e espera que ela continue assim. Registra sua felicidade em receber seus textos em braile. Pela primeira vez, em quase cinco anos, tem material para estudar.

Lucas Divino:

Fez as primeiras provas na última semana de setembro. A maioria delas ele digitou no computador adaptado da Faculdade, algumas fez em dupla e em outras fez em sala de aula, em Braile, com o professor lendo o Código para ele.

O texto das provas feitas no computador, ele imprimiu, assinou e entregou para o professor. As notas foram entregues junto com a dos outros alunos. A prova feita em braile o professor deu a nota no mesmo dia, porque aceita a sugestão do próprio aluno, isto é, aceita ouvir o aluno lendo a prova para ele, depois do encerramento da mesma, e avalia no mesmo instante. Isso possibilita com que eles dispensem o sistema de transcrição do braile para tinta, atualmente existente na Universidade e que nunca funcionou a contento.

Comenta com satisfação que fez todos os trabalhos de filosofia e seminários, trabalhos de classe, e foi muito bem sucedido porque teve acesso aos livros necessários para sua preparação. Livros esses que foram preparados pelo Núcleo de Apoio.

Em relação à troca de e-mails com os professores, que passou a fazer neste semestre, eles estão encaminhando o resumo das aulas antecipadamente para leitura, assim como apostilas e correção dos questionários respondidos em sala de aula. Essa interação professor/aluno está permitindo com que ele se sinta cada vez mais capacitado em sua profissão e principalmente incluído em sala de aula.

Diz que a partir deste semestre entrou na era da informática, uma vez que tem disponível o computador na Faculdade, assim como ter a possibilidade de acessar os livros por inteiro, contrariamente aos tempos antigos quando conseguia, se muito, um ou outro capítulo isolado de algum determinado livro.

Informa também que quando usava fitas cassetes para estudar, ele tinha dificuldades de localizar partes de textos na fita, quando necessitava. Agora, com os CDs e o Virtual Vision, localiza rapidamente o material que precisa. Outro aspecto é quanto à grafia das palavras. No texto em editor, ele pode saber como se escreve as palavras, na fita cassete isto não era possível.

No escritório modelo da Universidade, ele pode fazer seu estágio sozinho, diferentemente de um amigo, também deficiente visual, que se formou aqui na Universidade e tinha que fazer seu estágio em dupla, justamente por não poder contar com esses auxílios técnicos que promovem acessibilidade e autonomia.

Tem observado, principalmente neste semestre, que seus professores novos têm tido maior atenção na condução da aula, procurando utilizar técnicas de inclusão.

Comenta que, após o trabalho de divulgação do Consceg, os professores explicam mais as transparências que utilizam em suas aulas.

Lembra que o CONSCEG tem lutado e cobrado muitas coisas, mas que também há o compromisso de seus integrantes em oferecer propostas e, acima de tudo, evidenciar os crescentes resultados obtidos por seus membros quando lhes são possibilitadas maneiras de se incluir e acessar o conhecimento, ao qual todos os outros tem acesso.

Em relação às provas, sugere que é preciso definir o CONSCEG como meio responsável pela adaptação do material para o Braile, e que também deve criar procedimentos que assegurem o cumprimento dos prazos.

Camila de Lucca:

É estudante de Direito na FMU, 8º. semestre.

O ensino é bem puxado, tem muitas apostilas e livros para leitura. Na prática jurídica faz atendimento à comunidade e começa a elaborar peças e petições. Já consultou aproximadamente 30 livros especializados em seu curso.

Acha o trabalho do CONSCEG muito interessante e que o mesmo deve continuar para a busca de seus direitos e pleno acesso a Universidade como um todo.

Fernanda Arruda:

No decorrer dos cinco anos da Universidade, ressalta a importância de sua convivência com a Priscila e com o CONSCEG, para sua consciência em relação à inclusão, e que se não tivesse tido esta oportunidade, talvez tivesse uma visão distorcida em relação ao assunto. Percebe que esta integração foi importantíssima para sua formação e crescimento pessoal.

Diz que há coisas que vão além da teoria e da prática, que se obtém apenas com a convivência e empatia em relação ao outro.

O grupo, como um todo, também agradece a participação da Fernanda, e ressalta a importância de suas contribuições para os resultados obtidos até o momento.

Naziberto Lopes:

Informa que teve uma reunião na última quarta-feira com a Professora Helena Rosa e disse a ela sobre a importância social deste projeto. A importância de comprar uma impressora Braile e estar preparado para atender os alunos que venham à faculdade e sejam portadores de deficiência visual.

Sobre a divulgação dos trabalhos do Consceg, informa que já conseguiu espaço no jornal Ethos. É preciso trabalhar os textos e encaminhá-los para publicação.

Informa que os artigos da revista Marcos número 9 já foram obtidos e gravados nos computadores do Núcleo, faltando distribuí-los pelos outros computadores adaptados da Universidade, campus Tatuapé, Sagrada Família e Paulínea.

Sugeriu a criação de alguns tipos de vivencias entre os professores, ministradas pelos próprios alunos do CONSCEG como, por exemplo, uma aula experimental, na qual os professores deveriam comparecer com os olhos vendados.

Dessa maneira, vivenciando na prática, esses professores certamente considerariam-na uma vivência extremamente válida e ampliadora de consciência, afinal, poderão sentir na pele um pouco das dificuldades do outro, na maioria das vezes, totalmente desconhecidas por eles.

Isso não quer dizer algum tipo de culpa por parte dos mesmos, mas sim, apenas um desconhecimento de toda problemática de alguém que, por exemplo, não enxerga e é defrontado com uma aula toda feita com transparências projetadas numa tela.

Relação das atas:

 

Tudo sobre o CONSCEG - Conselho de Alunos Cegos e Amigos na Universidade.

 

Voltar ao topo da página.

Copyright © 2008 Livro Acessível.
Todos os direitos reservados.