São Paulo, domingo, 24 de setembro de 2017 - 19:59.

Livro Acessível Universal - Página inicial [1].

ATA DE REUNIÃO.

CONSCEG – Conselho de Alunos Cegos e Amigos na Universidade.

Data: 03/04/2004

Participantes:
Rita de Cássia Martins de Araújo;
Carla Cristina Lopes;
Lucas Divino de Souza;
Priscila Branca Neves;
Naziberto Lopes de Oliveira;
Elizabeth V. Marinho de Oliveira.

Resumo da quinzena e principais queixas:

Lucas Divino:

Teve cinco provas:

Segunda-feira a prova foi ditada. Leu e gravou a prova para o professor.
Terça-feira Leu a prova para o professor. Ficou por último na sala de aula.
Quarta-feira Ditou a prova para a professora, após tê-la feita em braile.
Quinta e Sexta-feira Escreveu no braile e leu para o professor.

O Lucas tem o Código Penal de 2002 em braile, cedido pela Fundação Dorina Nowill. A Universidade São Marcos providenciou apenas alguns capítulos de livros, em disquete. A São Marcos tem a legislação penal em braile (total de 24 livros).

O Código de Processo Civil do Lucas é de 1983. Ele também tem um CD com todas as leis promulgadas até o ano 2001, que ganhou de um colega de sala de aula.

Nas provas com consulta, para os Códigos que ele não tem o material, ele tem que pedir o auxílio do professor.

Observações: o aluno prefere ler as provas para o professor, pois em uma das tentativas de que a prova fosse transcrita para o braile, pela assessora Adriana (*), o mesmo teve, dois meses depois, de fazer a leitura para o professor, pois dentro desse período, a prova ainda não havia sido transcrita.

(*) Adriana Barsotti é assessora para preparação de materiais adaptados aos alunos da Universidade São Marcos.

Priscila Neves:

Teve prova na semana retrasada. O professor ditou a prova para a sala toda. (quatro questões).

Nesta última quarta-feira, o professor deu a nota para todos os alunos menos para ela. O professor informou que deixou a prova com a Adriana, no mesmo dia para conversão para tinta, mas ainda não havia recebido o resultado dessa transcrição.

Esta semana houve prova em duplas, que a Priscila fez em conjunto com a Fernanda. Ela informa que seria melhor se a prova tivesse sido entregue em braile e em tinta, assim ela não ficaria tanto na dependência da amiga.

Ela precisa de diversos formulários da clínica, que foram entregues à assessora Adriana, para transcrevê-las em braile (isto há duas ou três semanas), mas até hoje o material não ficou pronto.

Observações: Na quarta-feira retrasada, a Priscila se encaminhou à biblioteca, para conhecer a literatura em braile. Só encontrou alguns poucos livros de Direito, de Psicologia não encontrou nada.

Segundo ela, o teste Wartegg foi solicitado em Braile, demoraram um ano para aprovar o orçamento e transcrever uma parte, mas até hoje não completaram a conversão. Ela utilizou, devolveu em dezembro/ 2003 e até o momento, encontra-se na sala da Sra. Valéria da biblioteca, dentro de uma sacola.

Ela também entregou duas apostilas sobre ética transcritas em Braile na biblioteca, (uma foi a assessora Adriana quem fez e a outra foi feita pela Fundação Dorina Nowill), além de uma apostila de inglês, que sumiram da biblioteca. Doou também três apostilas em braile, que uma amiga imprimiu, em dezembro/2003, e até o momento estão também dentro da sacola da secretária Valéria.

No segundo semestre/2003, a Priscila também deixou três volumes de uma dissertação de mestrado doados pela Professora Ana Lucia Bastos, em Braile, mas também não foram localizadas. Enfim, está procurando as apostilas em braile que deixou na biblioteca, para que suas outras colegas possam ler, mas ninguém as encontra.

Disse que não doará mais nada à biblioteca, porque esta não está tratando o material com o devido respeito.

O Lucas sugere que não se entregue mais nada na Biblioteca, mas sim que o pessoal do grupo troque os textos em braile entre si, para evitar que desapareçam como os acima citados.

Carla Lopes:

Quarta-feira (31/03) fez prova de bases biológicas. O professor pediu que ela fizesse a prova com a Fabiana, na sala dos professores, que não podia atendê-la de pronto (afinal é secretária e precisa atender vários telefonemas além das necessidades dos professores que, a toda hora a solicitam). A Carla teve que ficar esperando e durante a prova foi interrompida várias vezes com barulho. A Fabiana ditou a prova para a Carla e pediu para que ela fizesse a prova e depois a chamasse. A Carla, ao finalizar a mesma, ditou a prova para a Fabiana, que transcreveu suas questões à mão. Após este procedimento, ela foi embora, sem esperar pelo Professor.

Houve uma discussão sobre a obrigação dos professores estarem preparados para situações de aplicação de provas. Há consenso de que os professores fazem o que podem, mas nem sempre estão preparados, além de que isso deveria ser um procedimento padrão e elaborado com antecedência e organização.

Em outra prova de filosofia, a Professora colocou quatro questões na lousa e pediu para que os alunos escolhessem duas. Esquecendo-se da presença da Carla, demorou alguns minutos e só o fez quando a Carla chamou sua atenção. A Professora disse que entregaria a prova para a assessora Adriana transcrever, para depois corrigi-la. Até o momento, quando todos já receberam suas notas, a Carla ainda não sabe a sua.

A Rita menciona que a assessora Adriana parece demorar muito, tanto para retirar as provas quanto para devolvê-las.

O Lucas acha que seria mais rápido se o aluno ditasse a resposta da prova para alguém logo após sua elaboração. O que ele costuma fazer.

O Naziberto comenta que digita suas provas, no seu próprio computador pessoal, depois pede que a Fabiana (da sala dos professores) a imprima a tinta e assina a prova. A professora coloca uma etiqueta em sua prova e suas notas são entregues junto com a dos demais alunos. Mas ele salienta que só pode fazer isso, porque tem os equipamentos necessários, por conta própria, como notebook, disquetes, etc. Mesmo assim, precisa que a prova seja fornecida a ele, no mesmo momento que é entregue aos outros alunos, em disquete e em formato texto.

Uma sala de apoio completa, para a realização de provas seria uma solução para os problemas relatados acima. Mencionaram que com aproximadamente R$ 30.000,00 esta sala de apoio poderia ser montada, e que esta verba poderia ser obtida através de parcerias com outras empresas.

Rita de Cássia:

Menciona que não tem a intenção de prejudicar ninguém pessoalmente, mas que a assessora Adriana comparece na Faculdade por pouco tempo (sexta-feira), provavelmente durante duas horas, o que não é suficiente para suprir os alunos em suas necessidades. Há consenso de que duas horas não são suficientes para a quantidade de trabalho necessária, além do dinamismo que é cobrado dos alunos em trabalhos, pesquisas e provas.

A Rita tem trabalhos e resumos pendentes desde o começo do ano, porque não tem material e textos para estudar. Esta semana ficou com as provas suspensas, pelo mesmo motivo.

Na tentativa de obter um texto em Braile para estudar, ela levou um cd-ron com texto de um capítulo, que foi gravado pelo Naziberto, para a UNICID, Universidade da Cidade de São Paulo, , solicitando a impressão em braile. Foi informada que o trabalho iria levar mais de uma semana, porque as solicitações dos alunos de outras Universidades não são prioritárias.

Comenta a maravilha que é a nova versão do sistema Virtual Vision que tem no campus do Tatuapé, mencionando que é muito mais simples e fácil.

O Lucas diz que se a Faculdade colocasse ao menos um bom computador com virtual e O C R, atualizados, e um scanner que funcionasse na biblioteca, já haveria uma grande melhora para a produção de livros digitalizados. Acha que a campanha doe um capítulo poderia mudar para corrija um capítulo. Disse que quando lançaram o programa doe um capítulo, solicitou ao Sr. Eduardo, Diretor da biblioteca, a compra de um OCR para a digitalização e leitura de livros, mas até o momento, esta solução não ocorreu.

O Naziberto lembra da necessidade de uma impressora braile, para os alunos que não tenham habilidade com os sistemas digitais. Menciona a dificuldade de mesmo digitalizando os livros ocorrerem erros, que muitas vezes exigem a necessidade de uma correção posterior.

Naziberto Lopes:

Menciona que veio á faculdade fantasiado de "ceguinho pedinte, para alertar aos responsáveis sobre a necessidade de ser visto pela instituição, pois até agora, parece que a São Marcos ainda não se "tocou que existem cegos em suas dependências.

Nesta semana, havia pedido a duas professoras para trazer sua prova em disquete. As professoras esqueceram o disquete e ele se recusou a fazer a prova. Disse a elas que veio preparado para responder a prova e não para perguntar. Suas provas foram transferidas para outro dia, quando as professoras trouxeram sua prova em um disquete e assim ele pôde respondê-las.

Lembra que quando entrou na faculdade, fazia suas reivindicações, mas após a concessão de uma bolsa de estudos, ele se aquietou e não brigou mais. Sua indignação retornou quando a Rita e a Carla entraram na faculdade e ele percebeu que não havia preparado um caminho para outros alunos com problemas semelhantes. O Lucas menciona que também sente a mesma coisa, porque sempre teve o apoio do Instituto Padre Chico, que sempre acabou encobrindo as deficiências da São Marcos.

Informou ainda que providenciará umas dez camisetas e mandará bordar com o logotipo Consceg. O desenho escolhido foi o de uma moça sentada, lendo um livro em braile. A camiseta será em azul Royal e letras em vermelho.

O Lucas lembra que o que faltava era união aos deficientes, afinal cada aluno ficava brigando individualmente pelos seus direitos, mas hoje juntos, ganham mais força em suas reivindicações e propostas de colaboração.

A Rita comenta que foi muito agradável quando, ao mudar de unidade, (agora está estudando no campus Tatuapé), a professora Denise a levou para conhecer o lugar, e que isto deveria ser uma prática para todo deficiente visual que venha a entrar na faculdade, em qualquer Campus.

O grupo fará um abaixo assinado para solicitar a saída da Professora Ana Maria Navajas da coordenação de atividades para deficientes visuais, porque ela não os representa, nem busca solução para seus problemas. Todos assinarão o documento, pois é opnião unânime entre os componentes do grupo que essa pessoa não os representa, nem agora, nem antes da formação do grupo.

Vão organizar uma manifestação em cada uma das unidades da São Marcos, com o objetivo de demonstrar a falta de sinalização adequada para os alunos com deficiência visual.

Relação das atas:

 

Tudo sobre o CONSCEG - Conselho de Alunos Cegos e Amigos na Universidade.

 

Voltar ao topo da página.

Copyright © 2008 Livro Acessível.
Todos os direitos reservados.