São Paulo, domingo, 24 de setembro de 2017 - 19:53.

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ATA DE REUNIÃO.

CONSCEG – Conselho de Alunos Cegos e Amigos na Universidade

Data: 08/05/2004.

Participantes:
Fernanda Arruda Santos;
Priscila Branca Neves;
Naziberto Lopes de Oliveira;
Elizabeth V. Marinho de Oliveira.

Convidados:

Elisabete Branca Carrão:

Iniciando a reunião foi lida uma carta aberta ao grupo, redigida pelo Lucas, ausente devido a sua viagem para o dia das mães, carta essa, colada ao final da ata, que demonstra a importância dos livros digitalizados e, acima de tudo, o crescimento emocional e profissional de uma pessoa deficiente, quando lhes são fornecidas as ferramentas necessárias para seu pleno desenvolvimento.

Resumo da quinzena e principais queixas:

Priscila Neves:

Comenta que a Adriana ligou para ela na quinta-feira à noite e disse que ela já poderia retirar os formulários da clínica que estavam prontos na sala dos professores. As fichas foram transcritas em braile, mas num único documento, sem separação e com muitos erros de ortografia, o que torna o uso inadequado.

Comenta que a Adriana falou que deixou as determinações para que o trabalho fosse feito adequadamente, mas disse também que o próprio elaborador do trabalho afirmou que daquele jeito mesmo estava bom. Fato estranhíssimo, afinal, quem é que deve saber o que está bom, a própria Priscila que vai utilizar-se do material ou então uma pessoa que está executando um trabalho remunerado? Que nem ao menos sabe para que esse trabalho servirá e simplesmente determina que ele está bom e pronto. Onde estão as pessoas que deveriam conferir se o trabalho está feito corretamente? Sendo assim, ela pediu que o material seja corrigido com urgência.

Informa também que recebeu resposta à sua carta de solicitação de bolsa de estudo, que lhe foi concedida. Ela ficou muito feliz com a bolsa e entende muito importante porque de certa forma possibilita minimizar as dificuldades financeiras econsidera, de certa forma, as deficiências relacionadas à falta de adaptação do ensino até o momento.

Fernanda Arruda:

Comenta sobre a experiência desta semana, quando o Conseg realizou uma “performance” nas salas de aula e dependências da Faculdade, inclusive na sala do coordenador, procurando identificar os locais com etiquetas em braile, e que percebeu o impacto que a manifestação do grupo gerou nas pessoas. Salienta que o propósito do grupo só tende a crescer e que é importante manter o foco nos objetivos.

Ela também vendou os olhos e junto com o Naziberto e a Priscila, foram caminhando pela Faculdade, para vivenciar a experiência de andar por corredores escuros e sem nenhuma sinalização que possa ajudar. Nesta experiência percebeu a importância da confiança no outro que a conduz. Ressalta que no início, queria andar como se estivesse vendo, até relaxar e perceber que teria que ter mais atenção aos outros sentidos e que realmente há muitos obstáculos, que se outras pessoas não avisarem, o deficiente irá chocar-se mesmo em vários objetos. Com a venda nos olhos, é uma necessidade, haver claras sinalizações e referências.

Com relação às pessoas ao redor, algumas brincaram e foram receptivas, outras pessoas disseram que gostariam de ter a mesma experiência, o que demonstra que muitos têm vontade de participar, mas não tomam a iniciativa.

Menciona a importância da capacidade de uma pessoa encarar a própria deficiência e buscar outras formas de se comunicar e de estar em contato com o mundo.

Naziberto Lopes:

Informa sobre a reunião com a vice reitora Luciane. Diz que teve boa impressão e que percebeu o interesse e sinceridade sobre a causa apresentada.

A vice reitora informou que em um mês aproximadamente será inaugurado o Instituto São Marcos, e que as reivindicações do grupo serão priorizadas por este Instituto, inclusive a montagem da sala de recursos, por meio da busca de parcerias com empresas. Disse que não tinha conhecimento dos problemas apresentados, porque pensava que estava tudo bem, devido ao fato de ter nomeado a professora Ana Maria Navajas para acompanhar as necessidades de pessoas com deficiência, e que ao tomar conhecimento da formação do Conseg, nomeou o Prof. Valdir para acompanhar o que estava acontecendo.

Posicionou as outras pessoas sobre tudo que aconteceu e que foi discutido na reunião citada.

Informa que trouxe uma fita adesiva para colar na entrada da Faculdade para permitir a melhor sensibilidade tátil e o acesso à escada central, que se localiza entre duas colunas e que quase sempre se perde ao tentar se dirigir aquela escada, preferindo dar a volta pelo corredor da sala dos professores, quando deseja utilizar o banheiro que está localizado no corredor central. A colocação dessa fita foi para exemplificar, principalmente ao vice-coordenador, Ricardo Franklin, que uns dias atrás havia lhe perguntado sobre como deveria ser feito a sinalização no solo para melhor trânsito dos deficientes visuais.

Informa que foi procurado por um dos integrantes do jornal acadêmico “Ethos” e este lhe ofereceu uma coluna mensal no respectivo jornal. Essa coluna foi oferecida ao grupo CONSCEG, que poderá colocar ali, suas crônicas, críticas, sugestões e vivencias diárias junto a Universidade.

O grupo achou interessante a proposta e aceitaram o oferecimento da coluna e as conversações irão se iniciar.

O Naziberto fez um cálculo do custo aproximado dos capítulos digitalizados na campanha doe um capítulo, mencionado pelo Diretor da Biblioteca, Eduardo, que informou, durante a reunião com a vice-reitoria, que já possuía 1611 capítulos de livros distribuídos entre os voluntários para digitação. Desse total, existem já prontos 1182 capítulos que geraram um total de 53 livros completos.

Fazendo uma conta rápida e hipotética, a ser confirmada pela biblioteca, podemos dizer que já sabemos que para cada capítulo digitado é necessária a preparação de um “kit” para que o voluntário leve para casa. Pois bem, cada “kit” é composto de um disquete de e o respectivo capítulo xerocado. Considerando uma média baixa de 30 folhas de xérox por cada capítulo, vamos chegar a um número de 48330 cópias. Multiplicando esse número de cópias pelo valor que se cobra na xérox da Universidade, chegamos a cifra de R$ 5799,60 e ainda colocamos o custo de cada disquete, por volta de R$ 1,00 totalizando o número de 1611 disquetes a um custo de R$ 1611,00.

Somando tudo vamos chegar a cifra de R$ 7410,60 o total de gasto da campanha que não ajudou, até agora, nenhum dos portadores de deficiência visual da Universidade, pois quando eles conseguem digitar um capítulo, esse não é mais necessário para os deficientes que já deram um jeito, por conta própria de conseguir ler o tal capítulo. Além do fato que depois que recebemos a listagem dos livros constantes da campanha, notamos a grande presença de livros de Direito, sendo que o Lucas, ou seja, o aluno que estuda Direito, não tem a menor noção da existência desses capítulos ou livros.

Está fazendo, por sua própria conta, a digitalização dos livros da bibliografia básica e complementar do curso de Psicologia. Desde janeiro para cá, digitalizou um total de aproximadamente 140 livros completos. O custo desse trabalho se contabilizarmos o valor de R$ 1,80 cada cd utilizado para a gravação do livro, vamos encontrar um custo total de R$ 256,00.

Vale lembrar que a campanha da Universidade já tem mais de dois anos de andamento e o trabalho do Naziberto tem apenas quatro meses de duração. Caso esse trabalho já tivesse dois anos, o número de cds seria aproximadamente de 850 livros prontos para serem lidos pelos deficientes nos computadores adaptados.

Ainda registra a importância da participação da Fernanda no Grupo, dizendo que eles não tem como pagar o que ela está fazendo, mas que certamente ela ganhará e muito como profissional, devido a sua vivencia com o grupo e as inúmeras experiências que ela tem experimentado..

Anexo:

Carta de agradecimento do Lucas:

UM LEITOR DE PRIMEIRA VIAGEM

Hoje é quarta-feira, dia 28 de abril de 2004. Caros amigos e demais pessoas presentes nessa reunião, hoje, talvez seja um dos dias mais importantes de minha vida de universitário, pois pela primeira vez estou tendo um contato direto com uma bibliografia atual, e, acreditem, inteira.

Como disse no documento anterior, estou cursando o 4o. Ano de direito e, após essa informação acima, muitos devem está pensando: “que profissional será esse sujeito que praticamente no final de um curso universitário conseguiu ler um livro atual e completo somente nesse momento?” Infelizmente o mercado de trabalho não parará para escutar minhas reais explicações que todos vocês já têm conhecimento, muito menos, perdoará possíveis equívocos devido a uma falta imensa de leitura, leitura essa extremamente necessária para o desenvolvimento de qualquer curso. Nesse sentido, digo a todos que não tenho palavras para explicar a minha imensa alegria e satisfação em receber e poder estudar com um livro que nosso amigo Beto, a quem agradeço, me presenteou nessa semana.

Relação das atas:

 

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