São Paulo, domingo, 23 de julho de 2017 - 21:43.

Livro Acessível Universal - Página inicial [1].

Questionando o Ministro Gilberto Gil.

"Há homens que lutam por um dia e são bons. Há outros que lutam por um ano e são melhores. Há outros, ainda, que lutam por muitos anos e são muito bons. Há, porém, os que lutam por toda a vida, Estes são os imprescindíveis".
(Bertolt Brecht)

Prezados colegas do movimento pelo livro e leitura acessíveis no Brasil.

Este é um informativo protesto que tem a finalidade de chamar a atenção das autoridades como o Exmo. Ministro da Cultura Gilberto Gil, os seus acessores e auxiliares próximos, além dos responsáveis pela Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro e todos os componentes do GT do livro acessível.

Enfatizamos que nos surpreende muitíssimo constatar que ainda não foi marcada a próxima reunião para discussão da regulamentação da Lei do livro, 10753/2003, a mesma reunião que   foi adiada diversas vezes no início do ano devido as constantes greves no Ministério da Cultura, a mesma reunião que seria realizada no final de Setembro, logo após o encerramento da última Bienal Internacional do Livro, a mesma reunião que até o momento vem se apresentando apenas como promessa.

Nesse sentido, queremos com o máximo respeito  convidar o nosso brilhante Ministro da Cultura, Gilberto Gil, a uma reflexão empática, convidando-o a, por alguns instantes, colocar-se em nosso lugar e imaginar as seguintes situações:

Será, Ministro Gil, que na última vez que o Sr. Teve vontade de adquirir uma obra lançada e propagandeada nas livrarias de Brasília ou Salvador, o Sr. Foi, de alguma maneira, impedido por alguém de fazê-lo?

Será, Ministro Gil, que quando o Sr. Foi pagar os livros , em alguma livraria de Brasília ou Salvador, o gerente tenha se recusado a vendê-los, alegando que caso ele o fizesse, o Sr., como se fosse um criminoso qualquer, iria dali diretamente para uma fotocopiadora reproduzir aqueles livros para todos os seus amigos?

Será, Ministro Gil, que quando o Sr. Entrou em alguma biblioteca pública ou privada de Brasília ou Salvador nesses últimos dias, a fim de se deleitar com as maravilhosas obras ali presentes, encontrou as estantes das mesmas absolutamente vazias?

Será, Ministro Gil, que pelo fato do Sr. Ser artista, na última vez que Procurou uma editora a fim de adquirir alguma obra, o Sr. Foi rejeitado ali e encaminhado para uma instituição, assistencial ou benemérita, como o retiro dos artistas por exemplo, para receber aquela obra como doação?

Será, Ministro Gil, que até hoje em sua vida, o Sr. Espera o surgimento de uma Lei qualquer que lhe garanta, como cidadão que é, o direito puro e simples de poder entrar em uma livraria, editora ou biblioteca por esse Brasil a fora, para poder comprar ou emprestar um simples livro?

Será, Ministro Gil, que a nossa Constituição seria um mero engodo quando diz que o acesso a  informação, o conhecimento, a educação e a cultura são direitos garantidos de todo cidadão brasileiro?

Pois bem Ministro Gil, como verdadeiramente o Sr. Não está no nosso lugar, sabemos que todas as suas respostas para as questões acima, serão "Claro que não". Afinal, o Sr. Pertence a uma classe de pessoas no Brasil que são livres e autônomas para escolher comprar, alugar, emprestar e até mesmo reproduzir deliberadamente qualquer livro que desejarem, pois não são pessoas com nenhuma deficiência significativa que os impeça de acessar e interagir com os livros impressos a tinta e fixados em papel.

Porém, caso o Sr. Realmente estivesse em nosso lugar, saberia, mais do que isso, sentiria que essa não é a condição de uma enorme parcela da sociedade brasileira. A parcela para a qual todas as respostas acima seriam "Claro que sim". Aquela parcela constituída por pessoas com alguma deficiência incapacitante para a leitura de livros convencionais e que precisam de livros e leituras em formatos acessíveis e em desenho universal.

Falamos de pessoas cegas, com baixa visão, tetraplégicas, amputadas, paralisadas, disléxicas, idosas, parkinsonianas, com deficiência intelectual, com mobilidade reduzida e assim por diante. Todas elas absolutamente marginalizadas, impedidas e excluídas do mercado editorial, consequentemente, excluídas de uma boa escola, educação, formação, profissionalização, mercado de trabalho, e tudo mais que a libertação do pensamento, a informação e o conhecimento contido nos livros costumeiramente proporcionam aos "privilegiados" que podem usufruir  deles.

Por esses motivos, Sr. Ministro Gilberto Gil, é que estamos cobrando a imediata volta das reuniões para a discussão e regulamentação da Lei 10753/2003, que apesar de ser uma Lei fraca e sofrível, ao que parece feita sob encomenda para excluir e não para incluir todos os cidadãos brasileiros no universo da leitura, mas que infelizmente no momento é a única coisa que dispomos para tentar diminuir um pouco essa exclusão vergonhosa e aberrante.     

Portanto, Exmo. Ministro Gilberto Gil e demais autoridades responsáveis pela política nacional do livro, da informação, educação e cultura. Nós, os mais de 6000 subscritores individuais do abaixo assinado pelo livro e leitura acessíveis no Brasil, além das quase 100 instituições e organizações que agregam cerca de 300000 pessoas em torno das mesmas, solicitamos encarecidamente que os  senhores destinem uma parte de seus tempos tão escassos e corridos para se colocarem em nosso lugar, como convidamos o Ministro Gil acima, e depois nos responderem essas questões, a fim de nos dar algum alento se e quando essa discussão será retomada.

Ficamos então ansiosamente no aguardo de suas respostas, por gentileza. No mais,   a todas as pessoas e instituições que estão recebendo esse informativo protesto, comunicamos que a campanha pelo livro e leitura acessíveis no Brasil, prossegue firme e forte. Por isso, pedimos que continuem a conscientização de novos colegas, empresas, instituições, políticos, entre outros, para que integrem nosso abaixo assinado.

Para isso, as pessoas físicas devem enviar nome completo e número de RG ou CPF, assim como as pessoas jurídicas devem enviar razão social e número de CNPJ para o seguinte endereço eletrônico:livrouniversal@yahoo.com.br. As adesões também podem ser feitas por telefone: 11 9331-9490 e ainda listas manuscritas em papel podem ser enviadas para nosso endereço que será passado por telefone aos interessados.

Atenciosamente,

Naziberto Lopes
coordenador do movimento pelo livro e leitura acessíveis no Brasil.

 

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