São Paulo, sábado, 22 de julho de 2017 - 17:32.

Livro Acessível Universal - Página inicial [1].

150 amigos - crescendo firme e forte.

Olá colegas de listas da Internet e também de fora delas,

Estamos emocionados com o grande apoio que o nosso movimento pelo livro acessível para todos vem recebendo até agora. Pedimos desculpas aos moderadores de todas as listas por onde esse movimento está circulando. Pedimos a compreensão dos mesmos, sabendo eles que se trata de algo extremamente importante para muita gente, a se perceber pelo número de assinaturas que conseguimos somente em dois dias. Já somos 150!

Nosso sonho dourado é chegarmos pelo menos às quinhentas assinaturas até o dia 20 de maio, quando encerraremos a captação das mesmas para, em seguida, enviarmos às autoridades responsáveis.

Agradecemos imensamente a você de todas as listas, que assinou a carta, solicitando que confira se tudo está certo com o seu nome e número de documento. Agora se você puder convencer mais alguns amigos a se aliar a você e a todos nós, seria fantástico. Que tal tentar?

Pedimos mais uma vez àqueles que ainda não aderiram que reflitam bastante. Vejam quantas pessoas estão precisando de seu apoio. Talvez você não seja uma pessoa que tenha a leitura como um hobby, como uma necessidade, enfim, pode ser que você a considere dispensável, não goste, ou qualquer outra coisa. Agora pode ser também que na lista abaixo esteja um colega seu, um amigo, um parente, alguém que você admira ou se relaciona de alguma maneira.

Como seria legal se você pensasse nessas pessoas e no quanto faria bem à elas se fosse solidário e as ajudasse a derrubar essa muralha que as impede de exercerem sua cidadania plena? Reflita e decida se você poderia ajudar outra pessoa, apesar dessa luta não representar as suas próprias necessidades no momento. Talvez um dia, quem sabe, você possa precisar de algumas dessas pessoas abaixo e se lembre que quando elas precisaram de você... você faltou. Mas é claro, somente se você achar que poderá precisar um dia.

Sabemos que alguns podem pensar que esse clamor pelo livro acessível seja coisa de cego, esses ceguinhos chatos que não se contentam com os livros braile. Com os seis mil exemplares que levaram sessenta anos para serem somados no Centro Cultural de São Paulo, por exemplo. O que poderíamos querer mais? Mesmo sabendo que nesses mesmos sessenta anos, a produção editorial impressa a tinta aumentou em quantidades astronômicas. Enganam-se esses que pensam assim. Não são apenas os cegos que serão incluídos com o livro acessível. Vejamos isso:

Você sabe o que é dislexia? Talvez você tenha e não perceba, quem percebe são os outros. Mas apenas para ficar no campo superficial, uma criança com dislexia, por exemplo, lê uma palavra escrita e pronuncia outra. Você sabia que se ela ouvisse essa palavra em voz alta, enquanto faz a leitura com os olhos, ela começaria, por associação, a pronunciar as palavras corretamente?

Você imagina como uma pessoa que tenha paralisia nos braços ou pessoas que tiveram esses braços amputados, como será que elas podem manusear um livro? Como fazem para virar as páginas? Você sabia que um livro em formato digital, acessado em um computador resolveria esse problema?

Sabe aquela avó ou avô que você tanto gosta? Pode ser que eles tenham sido grandes leitores no passado, quiçá leram até para você dormir! Pois é, pode ser que agora eles estejam com as vistas cansadas, acometidas pela catarata ou qualquer outro mal, que não podem mais ler aqueles mesmos livros, nem mesmo para recordar. Você sabia que os livros em áudio poderiam resolver esse problema?

Como você pensa que uma pessoa com mal de Parkinson faz para ler um livro? Já imaginou? Com aquelas mãos trêmulas, como fazer para fixar o olhar e ler as letrinhas das páginas impressas? Você sabia que um livro digital no computador ou mesmo um livro em formato áudio também salvaria essas pessoas da frustração, do esquecimento e do abandono.

Sem falar nas pessoas jovens, mas que enxergam muito pouco, aquelas que precisam praticamente colar os olhos nas páginas dos livros, mesmo assim, ainda enfrentando dificuldades para ler. Você sabia que um livro digital que possibilite aumentar as letras na tela do computador seria suficiente para que uma pessoa assim pudesse ler?

Agora falando especificamente de pessoas cegas, você acha correto que as crianças que enxergam normalmente tenham um universo de livros infantis, infanto-juvenis, entre outros, quase desde o berço a sua disposição, enquanto as crianças que não enxergam, somente por esse motivo, são condenadas a ficarem sem leitura alguma pelo menos até os primeiros anos escolares, nos quais alguns parcos livros braile chegam até as suas mãos?

E poderíamos ficar aqui relacionando muitos outros problemas de inacessibilidade diante do formato convencional dos livros e afins, mas acreditamos que esses já foram os suficientes para lhe dar uma noção do que estamos pleiteando. Não apenas livros para cegos, mas sim, livros que poderão ajudar a você mesmo, que não tenha nenhum problema como os citados acima, daqui há alguns anos, quando a idade e a vista cansada chegarem.

Sendo assim, se quiser nos ajudar nesse momento e nesse pleito específico, não acredite que esteja fazendo algo somente pelas outras pessoas. Estará fazendo algo por você mesmo, de uma forma ou de outra.

Outrossim, as editoras desse país democrático se fecham a todo esse público, como se fossemos transparentes, invisíveis, inúteis para os seus propósitos de exercer o capitalismo sem risco. Eles nos acusam descaradamente de sermos "piratas", ladrões de direitos autorais, mesmo antes de nos darem a chance de cometermos tal crime. Somos acusados por antecedência, em uma inversão de valores inimaginável, pois todos somos considerados culpados até prova em contrário.

Queremos acreditar que essa ganância e descaso não podem prevalecer sobre todo o exposto acima, ou seja, o capitalismo, o lucro fácil, o desrespeito para com a diversidade humana, não pode ser o caminho que nosso país vai escolher seguir.

Sinceramente falando, se o lucro e o capital financeiro forem mais fortes, mais valiosos, mais necessários do que o respeito a nossa Constituição Federal, do que os valores humanos, do que a educação, a informação partilhada igualitariamente entre todos nós, poderemos dizer que não valerá mais a pena viver por aqui. Esse país não nos merecerá.

Para finalizar, as pessoas signatárias desse documento estão clamando da maneira que podem para serem ouvidas, sabe por quê? Porque algumas instituições, até mesmo alguns órgãos governamentais, algumas pessoas influentes em nossa sociedade insistem em defender que nós não temos voz ou vez, defendem que as nossas vozes são as deles, pseudo-representantes, que jamais os elegemos para falarem em nossos nomes, mas insistem nisso.

Por isso, muitos nos unimos para gritar, para que a voz e o grito saiam mais alto e cheguem a quem deve chegar. Por isso nos unimos para mostrar que aqueles que usurpam nossa voz estão completamente enganados. Entretanto, caso você se cale diante disso tudo, sentimos muito em dizer-lhe, mas... você estará dizendo que eles estão certos.

Desculpe a longa carta, obrigado pela atenção e pelo eventual apoio.

Naziberto Lopes.

Coordenador do Movimento pelo Livro e Leitura Acessíveis no Brasil.

 

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