São Paulo, quarta-feira, 23 de agosto de 2017 - 10:51.

Livro Acessível Universal - Página inicial [1].

1.000 amigos - números surpreendentes para qualquer um.

"Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta"

(Trecho de Os Lusíadas - Luis Vaz de Camões)

Prezados colegas e batalhadores incansáveis pela causa do livro acessível, livro em desenho universal, livro para todos em nosso país.

Queremos parabenizar e comemorar com todos o nosso milésimo gol!!! Sim, nós chegamos lá antes do Romário! Já passamos das 1.000 assinaturas!! Parabéns a todos os amigos e amigas incansáveis que continuam recolhendo assinaturas por todo esse brazilzão de Deus! Pessoas que colocaram em sites para conscientização e adesões, amigos que estão conversando ao pé de ouvido de pessoa por pessoa para que entre nessa luta, aqueles que estão mobilizando familiares, conhecidos, colegas de trabalho, simpatizantes, enfim, todos aqueles que definitivamente estão se tornando agentes de transformação social e política em nossa sociedade.

Chega de sermos passivos, acomodados e com o pensamento de que não dá, com o pensamento de que é muito difícil e que devemos nos contentar com as migalhas que nos são ofertadas, com o resto, com a caridade, com o donativo, com o tempinho que sobrou de alguém e que por isso vai ler ou gravar um livro para nós!! Chega dessa apatia, dessa anestesia, desse sono profundo!!!

Nosso movimento está mobilizando até mesmo outros países! Percebemos apoio vindo de amigos do Peru, de Portugal, nossos queridos patrícios estão aos poucos aderindo a nosso movimento, pois tem esperanças que ele seja bem sucedido por aqui e esse clamor cívico se estenda para o seu país também.

Queremos dizer que podem contar conosco para qualquer apoio à movimentos semelhantes que forem promovidos por ai. Estamos com vocês também!
Para nossa surpresa, um contingente imenso de pessoas com deficiência visual está aderindo a nossa carta aberta, confessamos que mais até do que era esperado, porque sempre pareceu que as pessoas que menos se importavam com essa questão de leitura acessível disponível nos mesmos lugares que se encontra a leitura convencional, eram as pessoas com deficiência visual. Mas a repercussão de nosso manifesto está mostrando uma mudança desse comportamento e dessa posição, "mas isso não é comigo", ou então "não estou nem ai pra isso", característica observada até então.

Aproveitamos para anunciar a todas as pessoas engajadas nesse movimento que a reunião mencionada em nossa carta foi suspensa temporariamente em virtude de uma greve que ocorre em alguns órgãos públicos. Dessa maneira, estamos agora, oficialmente prorrogando, também por tempo indeterminado, essa captação de apoios para nossa luta.
Aproveitamos também para falar um pouco mais a respeito do que vem a ser um livro acessível. Poderíamos chama-lo também de livro em "desenho universal" Ou "formato universal". O conceito de desenho universal é bastante claro, ou seja, qualquer produto ou serviço que atenda as necessidades do maior número de pessoas possível sem a necessidade de adaptações. Isso é bem diferente de atender a maioria das pessoas. Não estamos falando de maioria, tanto porque se estivéssemos, não teria cabimento, pois a maioria das pessoas enxerga normalmente ou não tem alguma deficiência incapacitante para uma leitura visual.

Um livro que respeite os princípios do desenho universal é aquele que pode ser lido por um número maior de pessoas, pois ele conta com o livro em si, impresso em papel para quem enxerga normalmente; a imagem do texto na tela do computador para quem não pode manusear o livro impresso; letras ampliadas na tela para quem tem baixa visão; texto formatado para ser impresso no código braile; arquivo de áudio para ouvir no computador ou em um cd-player comum; permite a interação com uma linha braile para as pessoas surdo-cegas; permite a navegação no texto, com o auxílio dos programas ledores de tela, para que as pessoas com deficiência visual conheçam a grafia das palavras, podendo fazer a soletragem das mesmas.

Esse é o livro acessível que defendemos, para que não se confunda esse livro em desenho universal ou formato universal com alguns que tentam nos empurrar como acessíveis, mas permitem somente a audição dos mesmos. Vocês podem imaginar o que é não enxergar uma palavra e apenas ouvi-la para depois reproduzi-la quando se precisa escrever um texto, uma carta? Como vocês escreveriam "casa" se nunca tivessem visto como ela é grafada? O som dessa palavra é de "z" e não de "S". Então facilmente a pessoa cega poderia escrever "caza", achando que está reproduzindo o termo corretamente.

E que tal a palavra "Xícara", é com "X" ou com "Ch"?
Esse jeito de apenas ouvir um texto qualquer, é dos tempos em que as pessoas cegas tinham apenas os velhos gravadores cassete para se orientarem com alguma informação, geralmente gravada por ledores humanos voluntários que liam e os gravavam nas tais fitas. Esse procedimento foi importante, útil, mas no Século passado!! Por isso, "Cesse tudo que a antiga - e bota antiga nisso - musa canta!" Hoje estamos na era digital, cibernética, dinâmica, veloz.

Você sabia que com o texto de um livro em formato digital, com o auxílio de um programa ledor de telas qualquer, você produz o livro em áudio sem a necessidade de auxílio da voz humana? Pois é, a versatilidade do texto digitalizado permite tudo isso. Assim sendo, queremos esclarecer que livro acessível não é livro em áudio, é livro em desenho universal, para ser ouvido inclusive, mas acima de tudo, compreendido também.

Temos que lutar por esse formato que vai incluir na leitura e na informação um número incalculável de pessoas que hoje estão marginalizadas dela. Não podemos admitir tecnologia jurássica sendo empurrada pela nossa garganta a baixo sem que contestemos, sem que aprovemos, sem que a queiramos. Mais ainda, não podemos permitir que nos vendam a idéia de que essa tecnologia tacanha vai resolver nosso problema de leitura.

Sabemos e compreendemos que a indústria livreira tem todo direito de querer resguardar seus direitos de produção e igualmente os direitos dos autores, mas isso não pode ser justificativa para que nos marginalizem, nos segreguem, nos tratem como bandidos em potencial. Nosso direito a leitura, cultura, educação e lazer de qualidade é sagrado, constitucional e cidadão, não podendo ser ignorado por empresas que não querem investir em tecnologia, seja por completa burrice e cegueira mercadológica - e aqui a cegueira é em um sentido negativo - ou então por comodismo mesmo.

Se você pensa como nós, defende essa idéia, acredita nessa possibilidade e deseja essa transformação nesse atual estado lastimável em que nos encontramos, pedimos sua ajuda que pode ser empenhada com a sua adesão ao nosso manifesto apresentado em forma de carta aberta que segue abaixo, com a lista de todos que já aderiram a ela. Seja mais um a colaborar para essa transformação.

Cordialmente,

Naziberto Lopes.
Coordenador do Movimento pelo Livro e leitura Acessíveis no Brasil.

 

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